Aterro sanitário em Acará: Justiça do Pará determina continuidade de audiência

Aterro sanitário em Acará será discutido em audiência pública retomada após tumulto no evento anterior.

Aterro sanitário em Acará e a continuidade da audiência pública

Aterro sanitário em Acará é o foco de uma audiência pública que será retomada de forma virtual na próxima sexta-feira, dia 6, às 16h. A decisão foi tomada pelo desembargador Luiz Gonzaga da Costa Neto, responsável pelo processo que trata da destinação de resíduos sólidos na Região Metropolitana de Belém (RMB). A audiência anterior, realizada em 20 de fevereiro, foi interrompida devido a protestos que geraram tumulto.

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) determinou que a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) desse continuidade à audiência. Contudo, a Semas anunciou que pretende recorrer da decisão, o que pode gerar novas discussões sobre o tema.

Contexto do tumulto na audiência anterior

A audiência pública que ocorreu em Acará tinha como objetivo discutir o licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) da empresa Ciclus Amazônia. No entanto, o evento terminou em confusão, com confrontos entre moradores, seguranças privados e policiais militares. O Ministério Público Federal (MPF) criticou a situação, mencionando o uso excessivo da força policial e a dificuldade de participação da população.

As comunidades de Acará e Bujaru expressaram sua insatisfação com a instalação do aterro sanitário, resultando em protestos significativos. A falta de acesso à audiência e a presença de barreiras policiais foram apontadas como fatores que comprometeram a participação popular.

Histórico e urgência do projeto de aterro sanitário

O desembargador Luiz Gonzaga da Costa Neto ressaltou que a discussão sobre a destinação final dos resíduos sólidos na RMB é acompanhada pela Justiça desde 2019. A urgência da situação se dá pelo esgotamento da vida útil do Aterro Sanitário de Marituba, que está prevista para 30 de junho de 2027. A falta de um novo aterro pode resultar em sérios problemas, como o surgimento de lixões nas cidades de Belém, Ananindeua e Marituba.

O magistrado enfatizou que o processo deve seguir sem interferências políticas, garantindo a continuidade da audiência virtual para que o licenciamento ambiental possa avançar.

Recomendações do MPF e irregularidades apontadas

Na última sexta-feira, o MPF recomendou a anulação da audiência de 20 de fevereiro e a suspensão da emissão de qualquer Licença Prévia (LP) até que as irregularidades identificadas sejam corrigidas. Entre as falhas no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) da Ciclus Amazônia, destacam-se:

  • Dados desatualizados, com informações que remontam a 2015;
  • Omissão de comunidades, incluindo mais de 25 comunidades quilombolas e tradicionais que poderiam ser afetadas;
  • Subnotificação de nascentes, onde a empresa identificou apenas 14, enquanto laudos oficiais confirmaram 87 nascentes vulneráveis;
  • Realização da audiência a 100 quilômetros da área impactada, dificultando a participação da comunidade.

A Semas informou que o licenciamento já havia sido negado após análise técnica, mas foi reaberto por determinação judicial. A Secretaria destacou que não existem elementos técnicos que justifiquem a emissão da licença e que já havia solicitado à Justiça a não realização da audiência.

Detalhes sobre a Central de Tratamento de Resíduos

A Central de Tratamento de Resíduos Sólidos da Ciclus Amazônia está projetada para ser instalada em um imóvel rural de 374 hectares, situado no km 32 da PA-483, entre Acará e Bujaru. A CTR terá a função de receber, tratar e destinar resíduos sólidos urbanos, industriais, de serviços de saúde e entulhos da construção civil.

Os resíduos serão provenientes de vários municípios, incluindo Belém, Acará, Ananindeua, Barcarena, Benevides e Marituba. A operação da CTR será contínua, funcionando 24 horas por dia, com horários de pico para a circulação de caminhões de grande porte.

Perguntas frequentes

Quais são os principais pontos de discussão na audiência?

Os principais pontos incluem a viabilidade do aterro sanitário, o impacto ambiental e a participação das comunidades afetadas.

Quando será a nova audiência pública?

A nova audiência pública será realizada na próxima sexta-feira, dia 6, às 16h.

Quais são as consequências da falta de um novo aterro sanitário?

A falta de um novo aterro pode levar ao surgimento de lixões e problemas sérios de gestão de resíduos na região.

Para mais informações sobre o assunto, acesse Em Foco Hoje e para detalhes sobre legislação ambiental, consulte o Ministério do Meio Ambiente.

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Em Foco Hoje Redação
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