Dia da mulher é uma data que simboliza a luta e as conquistas das mulheres ao redor do mundo. Em Teresina, a celebração deste dia traz à tona as histórias de mulheres que batalham diariamente por seus direitos e pelo sustento de suas famílias.
Dia da mulher: Teresinenses compartilham suas histórias
O Dia Internacional da Mulher é comemorado no dia 8 de março. Este ano, o g1 foi às ruas de Teresina para ouvir relatos de mulheres que enfrentam desafios em busca de igualdade no trabalho e segurança no dia a dia. As histórias revelam a força e a determinação dessas mulheres, que se destacam em diversas áreas, mesmo diante de adversidades.
Desafios diários e a luta pelo sustento
Doralice Moraes, de 47 anos, é um exemplo de resiliência. Desde os 17 anos, ela trabalha para sustentar sua família. Mãe solteira, Doralice criou sua filha sozinha, que atualmente estuda biomedicina. Ela compartilha que, apesar das dificuldades, sempre buscou alternativas para garantir o bem-estar da família. “Eu criei ela sozinha, em vários trabalhos, em fábricas, vendendo roupa e depois trouxe uma máquina para cá. Estou aqui há 10 anos”, disse.
Doralice expressa seu desejo de que sua filha tenha um futuro melhor, sem as mesmas dificuldades que ela enfrentou. “Queria que os governadores olhassem mais para as mães que batalham sozinhas, até para aquelas que têm esposo, mas são os pilares da casa. Ainda há muitas barreiras”, afirmou.
Conciliando maternidade e trabalho
Jéssica da Costa Silva, de 32 anos, é outra mulher que exemplifica a luta diária. Durante o dia, ela trabalha como vendedora, mas à noite se apresenta como cantora para complementar a renda. Mãe de quatro filhos, sendo um deles autista, Jéssica relata as dificuldades de equilibrar trabalho e maternidade. “Meus filhos nasceram um perto do outro. Fiz cesariana e voltei a trabalhar ainda no resguardo. Tive dificuldade para encontrar alguém que cuidasse das crianças”, contou.
Apesar dos desafios, Jéssica destaca que ser mãe a transformou. “Ser mãe de quatro crianças não é fácil de organizar, mas é maravilhoso”, declarou.
Segurança e assédio: uma preocupação constante
Raquel Rios Ferreira, de 51 anos, é a única mulher na equipe de segurança do Shopping da Cidade. Ela relata que, apesar de ser vista como frágil, possui uma força interior significativa. “As pessoas acham que a gente não é capaz, que somos frágeis, mas ao mesmo tempo temos uma força muito grande. Eu me considero uma mulher muito forte e de coragem”, afirmou.
O medo do assédio e da violência é uma realidade para muitas mulheres. Maria Luana Marques, de 23 anos, compartilha que enfrenta assédio diariamente. “É o medo de sair com certas roupas na rua porque alguns homens não conseguem respeitar”, disse. Ela, que trabalha como vendedora, também sente receio de ser mal interpretada em seu ambiente de trabalho.
Violência contra a mulher no Piauí
Os dados sobre a violência contra a mulher no Piauí são alarmantes. Em 2025, foram registrados 2.045 casos de violência sexual, incluindo estupros e importunações. Essa realidade gera um clima de medo e insegurança entre as mulheres. Isabel Maria Riveira, empresária, destaca a importância do apoio mútuo entre mulheres. “Me entristece ver que estamos nos perdendo com o feminicídio e que há mulheres que julgam as outras”, afirmou.
Isabel também clama por leis mais rigorosas e por respostas efetivas a crimes contra mulheres. “Desejo que venham leis que nos defendam e que os crimes sejam de fato julgados. Precisamos parar de perder a vida”, declarou.
Força e união entre as mulheres
Apesar das dificuldades, a força e a fé no futuro impulsionam as mulheres a enfrentarem o machismo e o assédio. “O que eu sempre falo para todas as mulheres é: não tenham medo, somos capazes de fazer de igual para igual. Não permitam que as pessoas façam vocês acreditarem que não são capazes. Nós somos capazes de estar nos lugares que queremos. Não somos só mães; somos irmãs e amigas”, afirmou uma das participantes.
Legislação e proteção às mulheres
O Piauí tem implementado leis para proteger as mulheres. A lei nº 8.804/2025, sancionada em setembro, garante que vítimas de violência doméstica recebam aviso prévio sobre decisões judiciais relacionadas a medidas protetivas. Além disso, o Cadastro Estadual de Condenados por Violência Contra a Mulher, estabelecido pela lei nº 8.824/2025, visa aumentar a transparência sobre agressores. O dia 25 de novembro é oficialmente reconhecido como o Dia Estadual de Combate à Violência Doméstica, conforme a lei nº 6.383/2013.
Essas medidas são passos importantes na luta por um ambiente mais seguro e igualitário para as mulheres. O Dia da Mulher é um momento de reflexão sobre as conquistas e os desafios que ainda precisam ser enfrentados. A luta por igualdade e segurança continua, e cada voz é fundamental para essa transformação.



