Vereador Salvino Oliveira foi solto após uma decisão judicial que revogou sua prisão temporária. O político do PSD deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, localizada em Benfica, na Zona Norte do Rio, na tarde de uma sexta-feira, após o Tribunal de Justiça considerar frágil a justificativa para sua detenção.
Na saída do presídio, Salvino expressou sua gratidão à Justiça, afirmando que estava sendo alvo de uma injustiça. Ele declarou: “Eu disse que eu estava sendo vítima de uma grande injustiça, e eu agradeço à Justiça por ter reconhecido isso”. Além disso, o vereador fez um alerta: “Agora, não pense que vai ficar assim. Esses que estão trabalhando de maneira tão esquisita para prender opositores políticos agora devem ser investigados”.
Vereador Salvino Oliveira e a Operação Contenção Red Legacy
A soltura de Salvino Oliveira foi autorizada pelo desembargador Marcus Henrique Basílio, que analisou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do vereador. O magistrado destacou que os elementos apresentados na investigação eram insuficientes para justificar a manutenção da prisão. Ele afirmou que a principal menção ao nome de Salvino na investigação se baseava em uma conversa entre terceiros, registrada há mais de um ano.
O desembargador também observou que não havia evidências concretas que tornassem a prisão do vereador indispensável para o andamento das investigações. Ele ressaltou que a prisão cautelar não deve ser confundida com uma condenação definitiva, que requer elementos mais robustos de envolvimento.
Medidas cautelares impostas ao vereador
Ainda que tenha sido solto, o vereador Salvino Oliveira terá que cumprir algumas medidas cautelares estabelecidas pela Justiça. Ele não poderá se ausentar do estado por mais de 15 dias sem autorização judicial e está proibido de manter contato com outros investigados. O desembargador também ressaltou que o vereador possui residência fixa e uma atividade profissional conhecida, o que diminui o risco de fuga.
Contexto da prisão de Salvino Oliveira
O vereador foi um dos sete detidos na Operação Contenção Red Legacy, que foi desencadeada em uma quarta-feira com o objetivo de desmantelar a estrutura do Comando Vermelho. O delegado Vinicius Miranda, que lidera a Delegacia de Combate ao Crime Organizado, informou que a prisão de Salvino foi solicitada após a polícia encontrar indícios de ligação dele com a facção criminosa.
Embora o delegado tenha mencionado que havia uma série de indícios, ele não detalhou quais eram as provas. Ele afirmou que os elementos foram apresentados à Justiça, que considerou a necessidade de uma prisão temporária para buscar mais informações sobre a participação do vereador na organização criminosa.
Acusações contra o vereador
As alegações contra Salvino Oliveira incluem tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o intuito de transformar esses locais em bases eleitorais. A Polícia Civil afirmou que o vereador teria buscado autorização do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para realizar campanha na comunidade da Gardênia Azul, que é controlada pelo Comando Vermelho.
Entre os elementos apresentados pela polícia, está uma conversa no WhatsApp que mostra um diálogo entre um comparsa de Doca e o traficante. No entanto, não há registros de comunicação direta entre Salvino e Doca. A mensagem sugere que o vereador teria recebido autorização para atuar na comunidade.
Desdobramentos da investigação
De acordo com as investigações, em troca da autorização para atuar na comunidade, o vereador teria promovido benefícios ao grupo criminoso, que foram apresentados como ações voltadas para os moradores. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que Salvino se comunicava com o comando da facção por meio de Dom, que era conhecido como “síndico” da associação local.
O secretário também mencionou que o vereador teria trabalhado para liberar a construção de quiosques na Gardênia Azul. A investigação sugere que a definição de beneficiários para esses quiosques foi feita por integrantes da facção, sem um processo público transparente.
Defesa do vereador Salvino Oliveira
Salvino Oliveira negou todas as acusações e afirmou que não tem ligação com o traficante Doca, além de declarar que não se envolveu na instalação de quiosques na Gardênia Azul. Ele se posicionou como uma vítima de uma disputa política que não lhe diz respeito, enfatizando que sua inocência será provada.
O caso de Salvino Oliveira levanta questões sobre a relação entre política e crime organizado, além de refletir a complexidade das investigações que envolvem figuras públicas. A situação continua a ser monitorada, e os desdobramentos futuros podem impactar a política local.
Vereador Salvino Oliveira é um exemplo de como a política pode ser afetada por acusações graves e investigações complexas. O desfecho desse caso poderá ter repercussões significativas para o cenário político da região.



