Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira em protesto

Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira em protesto contra a mineradora Belo Sun, exigindo a suspensão do projeto na Volta Grande do Xingu.

Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira em um protesto significativo contra a mineradora Belo Sun. O evento ocorreu no sudoeste do Pará, onde cerca de 200 manifestantes se reuniram para expressar suas preocupações sobre o projeto de mineração de ouro na Volta Grande do Xingu.

O bloqueio, realizado nesta segunda-feira, é parte de uma mobilização que começou em fevereiro, quando grupos indígenas ocuparam a sede regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na cidade. O Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu informou que o objetivo do protesto é pressionar as autoridades a revogar a licença de instalação do projeto da mineradora e a retirar a empresa da região.

Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira para reivindicar direitos

Durante o ato, Sol Juruna, uma das lideranças da Terra Indígena Paquiçamba, enfatizou a gravidade da situação: “Estamos na Funai e no aeroporto. Queremos que essa empresa vá embora daqui. Nossas crianças e idosos estão doentes, então não vamos arredar o pé.” A situação reflete o descontentamento crescente entre as comunidades locais em relação ao impacto da mineração na saúde e no bem-estar da população.

Os manifestantes afirmaram que pretendem manter o bloqueio até o final do dia e, posteriormente, retornar à sede da Funai, onde continuam a ocupação. Eles indicaram que o acesso ao aeroporto pode ser bloqueado novamente nos próximos dias, caso suas demandas não sejam atendidas.

Ocupação da Funai e suas implicações

A ocupação da sede da Funai em Altamira começou em 23 de fevereiro, com a participação de mais de cem indígenas de diversas etnias, incluindo Juruna, Xikrin, Xipaya, Kuruaya e Arara. O grupo exige a suspensão da licença de instalação do Projeto Volta Grande, que é gerido pela mineradora canadense Belo Sun. Além disso, eles solicitam que o processo de licenciamento seja transferido do governo estadual para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Esse protesto ocorre em um contexto de decisões judiciais que afetam diretamente o projeto. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) havia restabelecido a licença concedida em 2017 pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas). O Ministério Público Federal (MPF) já havia solicitado a suspensão dessa licença, argumentando que a empresa não cumpriu com condicionantes judiciais, como a realização do Estudo do Componente Indígena e a Consulta Prévia, Livre e Informada às comunidades afetadas, conforme previsto na Convenção 169 da OIT.

Riscos socioambientais na Volta Grande do Xingu

A Volta Grande do Xingu é um território tradicional para diversos povos indígenas, como Juruna, Xipaia, Curuaia, Arara da Volta Grande e Xikrin, além de comunidades ribeirinhas e famílias camponesas. Um relatório do Ministério dos Povos Indígenas destaca que o projeto da Belo Sun prevê a criação de cavas a céu aberto, pilhas de estéril, reservatórios e uma barragem de rejeitos com capacidade superior a 35 milhões de metros cúbicos, localizadas próximas ao rio Xingu.

As comunidades locais temem que a instalação da mina possa agravar os impactos já causados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que alterou significativamente o fluxo do rio. As lideranças indígenas alertam que a combinação da redução da vazão do Xingu com a mineração em grande escala pode prejudicar ainda mais a pesca, a segurança alimentar e os modos de vida das populações que habitam a Volta Grande.

Além disso, estudos indicam que há riscos de contaminação do rio por substâncias tóxicas, como cianeto, arsênio e chumbo. A possibilidade de novos desmatamentos e a pressão sobre os territórios tradicionais também são preocupações levantadas pelas comunidades.

Posicionamento da Belo Sun sobre o protesto

A Belo Sun Mineração, em resposta aos protestos, afirmou que respeita o direito de manifestação dos indígenas e que o diálogo deve ser conduzido por vias institucionais. A empresa declarou que a Licença de Instalação do Projeto Volta Grande permanece válida após decisão do TRF1, que reafirmou a autorização para o projeto.

A mineradora também ressaltou que realizou a Consulta Prévia, Livre e Informada às comunidades indígenas, conforme a Convenção 169 da OIT, e que o projeto ainda está em fase de instalação. Segundo a empresa, as atividades seguirão as condicionantes do licenciamento ambiental e não há previsão de captação de água do rio Xingu.

O cenário atual em Altamira é tenso, com as comunidades indígenas mobilizadas e decididas a lutar por seus direitos e pela preservação de seu território. A situação destaca a importância de um diálogo aberto e respeitoso entre as partes envolvidas, visando encontrar soluções que respeitem os direitos dos povos indígenas e o meio ambiente.

Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira em um ato que simboliza a resistência e a luta por justiça social e ambiental. A situação continua a evoluir, e as comunidades permanecem vigilantes em suas reivindicações.

Para mais informações sobre os direitos indígenas e questões ambientais, você pode acessar o site do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Além disso, fique por dentro de outras notícias relevantes em Em Foco Hoje.

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Em Foco Hoje Redação
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