A falta de água potável no Pantanal é uma questão alarmante que afeta diretamente a vida de muitas comunidades locais. Os pescadores da região, especialmente, enfrentam sérias dificuldades para acessar água limpa para consumo, uma situação que se arrasta por anos. Essa problemática foi destacada por Adilson Mariano dos Santos, representante da Comunidade Padilha, em uma coletiva de imprensa realizada após uma expedição que percorreu cerca de 900 km do Rio Manso ao Pantanal.
Falta de água potável no Pantanal e suas causas
Adilson, que também é pescador profissional, expressou sua frustração ao relatar que, antes da construção de uma barragem, a comunidade tinha acesso a água de nascentes. Atualmente, a realidade é bem diferente, e muitos dependem da compra de água em garrafões, algo que antes não era necessário. Ele enfatizou a urgência de uma solução para os pescadores, que há muito tempo esperam por melhorias.
Impactos da redução de água no Pantanal
A promotora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza, da 15ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Cuiabá, destacou que a superfície de água no Pantanal sofreu uma redução significativa nos últimos anos, estimada em 70%. Essa diminuição impacta diretamente a qualidade de vida da população, especialmente das comunidades mais vulneráveis. A poluição das águas e a escassez de recursos hídricos são problemas que se agravam com o tempo.
Comunidades afetadas pela falta de água
Além da Comunidade Padilha, outras localidades, como Estirão Comprido, Porto Brandão, Croará, Rancharia e Piúva, também enfrentam a falta de água potável no Pantanal. Essa situação exige atenção e ações eficazes para garantir que as necessidades básicas da população sejam atendidas.
Irregularidades identificadas na expedição
Durante a expedição, os profissionais identificaram diversas irregularidades na região. Entre os problemas encontrados estão a poluição do rio, o descarte inadequado de resíduos nas margens e o lançamento de esgoto sem tratamento. Essas questões agravam ainda mais a situação da água potável e refletem a falta de saneamento básico em muitas comunidades.
Impactos das usinas hidrelétricas no Pantanal
A promotora Ana Luiza também ressaltou os impactos negativos que os empreendimentos ao redor do Pantanal, como usinas hidrelétricas, têm causado. Apesar de ser proibida a instalação de usinas na planície alagável, tentativas de novos empreendimentos continuam a surgir, o que compromete a disponibilidade de água e afeta a reprodução de espécies de peixes, essenciais para a subsistência local.
A bacia hidrográfica do Rio Cuiabá
A bacia hidrográfica do Rio Cuiabá é considerada uma área crítica, sendo o maior ponto de desova de peixes comerciais, como o pacu. Essa informação, proveniente de um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA), ressalta a importância da preservação dessa região. O estado de Mato Grosso possui 54 empreendimentos hidrelétricos, incluindo 47 Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidráulicas, além de sete usinas hidrelétricas.
As consequências da falta de água potável no Pantanal são profundas e exigem uma resposta imediata e eficaz. A situação atual não apenas compromete a saúde da população, mas também ameaça a biodiversidade e a economia local. É fundamental que as autoridades e a sociedade civil se unam para enfrentar esses desafios e garantir um futuro sustentável para as comunidades do Pantanal.



