Exame de sangue para câncer de mama pode ser a chave para a detecção precoce da doença, oferecendo uma alternativa menos invasiva e mais acessível. Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo um teste inovador que utiliza amostras de sangue para identificar biomarcadores associados ao câncer de mama. Este avanço tem o potencial de transformar a forma como a doença é diagnosticada e tratada no Brasil.
Com a previsão de que os casos de câncer de mama possam atingir 3,5 milhões anualmente até 2050, a necessidade de métodos eficazes de rastreamento se torna cada vez mais urgente. O câncer de mama é um dos tipos mais letais, resultando na morte de cerca de 20 mil mulheres por ano no Brasil, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A detecção precoce é crucial, pois as chances de cura são significativamente maiores quando a doença é identificada em estágios iniciais.
Exame de sangue para câncer de mama: como funciona?
O teste em desenvolvimento, conhecido como RosalindTest, é baseado em uma técnica chamada biópsia líquida. Essa abordagem inovadora permite que os pesquisadores analisem o sangue em busca de sinais moleculares que indicam a presença de câncer. Ao contrário da mamografia, que utiliza imagens para detectar tumores, o RosalindTest foca em alterações genéticas que ocorrem nas células tumorais.
Os pesquisadores estão investigando dois biomarcadores específicos: HIF-1α e GLUT1. Essas proteínas costumam apresentar alterações quando as células tumorais estão em um estado de hipóxia, que ocorre em ambientes com baixo oxigênio. O grande diferencial é que essas mudanças podem ser detectadas no sangue antes mesmo que o tumor seja visível em exames de imagem. Em estudos iniciais, o teste demonstrou uma acurácia impressionante de aproximadamente 95%.
Desafios no rastreamento do câncer de mama
Um dos principais desafios enfrentados no Brasil é o acesso desigual ao rastreamento do câncer de mama. O sistema público de saúde recomenda mamografias para mulheres entre 50 e 69 anos. No entanto, o câncer de mama tem surgido em idades cada vez mais jovens, e muitas mulheres não têm acesso a exames adequados. Em 2025, o Ministério da Saúde planeja ampliar o acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos, mas isso ainda não resolve o problema de todas as faixas etárias.
O RosalindTest pode ser uma solução viável, especialmente em regiões onde a mamografia é escassa. A coleta de sangue é mais simples e pode ser realizada em unidades de saúde menores, facilitando o acesso para mulheres em áreas remotas.
Como o teste pode melhorar o diagnóstico?
O teste de sangue para câncer de mama funcionaria como uma triagem inicial. Se o resultado indicar a presença de alterações associadas ao câncer, a paciente seria encaminhada para exames complementares, como mamografia ou biópsia. Um projeto-piloto realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) testou o exame em 600 mulheres que vivem em áreas rurais, muitas das quais nunca haviam feito exames de rastreamento.
Um caso notável durante a validação do teste envolveu uma mulher que apresentou um resultado elevado de biomarcadores tumorais. Embora a mamografia e o ultrassom tenham mostrado resultados negativos, a paciente procurou um especialista e, após uma ressonância magnética, foi diagnosticada com um tumor em estágio inicial. Graças à detecção precoce, ela pôde realizar apenas uma intervenção cirúrgica, evitando tratamentos mais agressivos.
Limitações e perspectivas futuras
Embora o teste seja promissor, especialistas que não participaram da pesquisa alertam que mais estudos são necessários para confirmar sua eficácia. O mastologista José Carlos Sadalla destaca que os biomarcadores analisados podem estar alterados em outros tipos de câncer, o que levanta questões sobre a especificidade do exame.
Ainda assim, a pesquisa representa um avanço significativo na luta contra o câncer de mama. O objetivo é não apenas facilitar o acesso ao diagnóstico, mas também tornar o processo menos doloroso e mais eficiente para as mulheres. O teste de sangue para câncer de mama pode, portanto, se tornar uma ferramenta valiosa no rastreamento da doença.
Com a evolução contínua da pesquisa e a validação dos resultados, o exame de sangue para câncer de mama pode se tornar um método complementar aos exames de imagem, ajudando a priorizar o atendimento às pacientes que testam positivo e ampliando a investigação em casos com resultados negativos, mas com marcadores tumorais identificados.



