A morte de Gisele Alves, uma policial militar, está cercada de mistério e controvérsia. Recentes revelações da perícia indicam que as marcas encontradas em seu pescoço são recentes e não foram causadas por ela mesma. A informação foi apresentada pela perita Amanda Rodrigues Marinon, em coletiva de imprensa realizada no dia 18.
Um mês antes, Gisele foi encontrada morta em seu apartamento, onde residia com seu marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. Ele foi preso nesta quarta-feira e está sendo investigado por feminicídio e fraude processual, devido a suspeitas de que alterou a cena do crime.
Gisele Alves e o Tenente-Coronel Geraldo Neto
A investigação começou após o tenente-coronel afirmar que sua esposa havia se suicidado após uma discussão. No entanto, essa versão foi rapidamente descartada pela Polícia Civil, que classificou a morte como suspeita. Laudos periciais apontaram indícios de homicídio.
A perita Amanda Rodrigues Marinon explicou que, para determinar o autor das marcas no pescoço, exames complementares são necessários. Ela destacou que as lesões foram causadas por outra pessoa, e não por Gisele. O tenente-coronel chegou a sugerir que as marcas poderiam ter sido causadas por sua filha ou que Gisele teria se agredido.
Mensagens Reveladoras
A Corregedoria da Polícia Militar conseguiu acessar o celular do tenente-coronel, onde foram encontradas mensagens entre ele e Gisele. Nas conversas, Gisele relatou episódios de humilhação e comportamentos abusivos por parte do marido, até mesmo no ambiente de trabalho. Ela descreveu a situação como insustentável e pediu que ele mudasse seu comportamento.
- Gisele mencionou que o tratamento do tenente-coronel estava piorando.
- Ela expressou seu desejo de separação caso a situação não mudasse.
- As mensagens indicam um padrão de controle e desqualificação por parte de Geraldo.
Além disso, Geraldo fez declarações machistas, afirmando que o lugar da mulher é em casa. A Corregedoria da PM interpretou essas mensagens como indícios de violência psicológica e controle abusivo.
Prisão do Tenente-Coronel
Na terça-feira, a Justiça Militar decretou a prisão preventiva de Geraldo Neto, que foi detido em São José dos Campos. A defesa do oficial argumentou que a prisão não deveria ter sido realizada pela Justiça Militar, alegando incompetência para julgar o caso. No entanto, a decisão foi tomada para garantir a ordem pública e a integridade da investigação.
Os laudos periciais foram cruciais para a prisão do tenente-coronel. A trajetória da bala que atingiu Gisele e a profundidade dos ferimentos foram determinantes para a conclusão de que ela foi assassinada. Exames toxicológicos não encontraram vestígios de álcool ou drogas, reforçando a hipótese de homicídio.
Laudos e Evidências
Os laudos periciais incluíram:
- Necroscópico: indicou que Gisele desmaiou antes de ser baleada.
- Trajetória do tiro: apontou que o disparo foi feito de baixo para cima.
- Exumação: vários exames foram refeitos devido a dúvidas sobre as circunstâncias da morte.
Outros detalhes também chamaram a atenção dos investigadores. O tenente-coronel fez uma ligação para pedir socorro apenas 29 minutos após o disparo. Além disso, ele foi visto tomando banho antes da chegada dos socorristas, o que levantou suspeitas sobre sua conduta.
A presença de sangue de Gisele em várias partes do apartamento e a limpeza feita por policiais militares mulheres após a perícia também são pontos que estão sendo investigados. A Corregedoria da PM está analisando esses atos como possíveis abusos de autoridade.
O caso de Gisele Alves é um exemplo trágico de feminicídio, e as investigações continuam a revelar novas informações. A sociedade aguarda justiça e respostas para entender as circunstâncias que levaram à sua morte.
Para mais informações sobre feminicídio e suas implicações, você pode acessar este link. Para acompanhar mais atualizações sobre o caso, visite Em Foco Hoje.



