A água tratada em Porto Alegre é um tema que desperta grande preocupação, especialmente quando se observa que quase 50% dela se perde antes de chegar às torneiras dos cidadãos. Essa situação crítica foi evidenciada em um recente estudo que revelou a queda significativa da cidade no ranking de saneamento básico.
Água tratada Porto Alegre e o ranking de saneamento
Recentemente, Porto Alegre caiu de 49ª para 63ª posição entre os 100 maiores municípios do Brasil, segundo um levantamento do Instituto Trata Brasil. Essa diminuição de 14 posições é a mais acentuada observada no estudo, que também incluiu João Pessoa (PB) na lista das cidades que mais pioraram.
O estudo, que se baseia em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SNIS), revelou que o índice de perdas na distribuição de água potável na capital gaúcha atingiu 46,6%. Isso significa que quase metade da água tratada se perde antes de chegar às residências, um número alarmante que supera o limite de 25% estabelecido pelo governo federal.
Desafios no saneamento básico
Além do desperdício de água tratada Porto Alegre, a coleta de esgoto na cidade atende apenas 72% da população, e apenas 60% do esgoto gerado é efetivamente tratado. Luana Siewert Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, destacou a queda significativa no acesso à coleta de esgoto, que anteriormente era de 91% e agora caiu para 72%. Essa redução de 19 pontos percentuais é preocupante.
A situação é ainda mais complicada quando se considera que o investimento em saneamento na cidade é bastante baixo. Porto Alegre investe em média R$ 72,00 por ano por habitante em saneamento, enquanto a média nacional prevista pelo Plano Nacional é de R$ 225,00.
Resposta do Dmae e medidas em andamento
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) se manifestou, afirmando que o ranking corrigiu dados que apresentavam distorções históricas. O órgão afirmou que o índice de 91% de coleta de esgoto mencionado anteriormente nunca refletiu a realidade da cidade. Além disso, o Dmae atribuiu o alto índice de perdas de água a uma enchente histórica que ocorreu há quase dois anos.
Para enfrentar essa situação, a prefeitura está conduzindo um processo de concessão parcial dos serviços de saneamento, com o objetivo de viabilizar mais de R$ 3 bilhões em investimentos necessários para universalizar os serviços até 2033, conforme as diretrizes do Marco Regulatório.
Comparativo com outras cidades gaúchas
O ranking também analisou a situação de outros municípios do Rio Grande do Sul. Canoas, por exemplo, caiu duas posições e agora ocupa o 69º lugar, com apenas 21% do esgoto tratado e perdas de água também em 46,6%. Apesar disso, o investimento em saneamento na cidade aumentou de R$ 170 para R$ 305 por habitante ao ano, um dos maiores do país.
Caxias do Sul, por sua vez, caiu cinco posições, passando para o 56º lugar, devido à redução no acesso à água tratada, que passou de 99% para 97%. O principal desafio para Caxias do Sul é ampliar o tratamento de esgoto, que atualmente está em 47% e precisa atingir 90% até 2033.
Impactos sociais e econômicos
A situação do saneamento básico em Porto Alegre e em outras cidades gaúchas não afeta apenas a saúde pública, mas também tem implicações econômicas. O desperdício de água tratada Porto Alegre pode levar a um aumento nas tarifas de água, uma vez que a gestão ineficiente dos recursos hídricos gera custos adicionais para o sistema de abastecimento.
Além disso, a falta de tratamento adequado de esgoto pode resultar em problemas de saúde para a população, aumentando a incidência de doenças transmitidas pela água. A universalização do saneamento é uma meta importante para garantir a qualidade de vida dos cidadãos e a preservação do meio ambiente.
Para mais informações sobre saneamento básico e suas implicações, você pode acessar este link do governo. Para mais notícias sobre Porto Alegre, visite Em Foco Hoje.



