A luta de Francisca Almeida, uma mulher de 66 anos, destaca as dificuldades enfrentadas por pacientes com câncer de pulmão no acesso a tratamentos eficazes. Diagnosticada com câncer de pulmão de não pequenas células, ela se vê em uma situação angustiante, onde um tratamento promissor está fora de alcance devido a questões financeiras e burocráticas.
Francisca Almeida e a busca pela imunoterapia
Francisca, que é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi informada por especialistas que o pembrolizumabe, uma imunoterapia, poderia ser uma opção valiosa para seu caso. Este medicamento é conhecido por prolongar a vida em pacientes com o mesmo perfil, mas não está disponível no SUS, o que a levou a buscar a Justiça pela segunda vez para garantir o acesso ao tratamento.
Desafios enfrentados por pacientes no SUS
O primeiro pedido de Francisca foi negado, e atualmente, ela aguarda uma nova decisão judicial. Enquanto isso, ela já passou por seis ciclos de quimioterapia, que inicialmente mostraram resultados positivos, mas, infelizmente, a doença voltou a progredir. O câncer se espalhou para linfonodos, ossos, pulmão e glândula adrenal, alcançando o estágio IV, que é o mais crítico.
“Sinto muita dor o dia todo. É horrível ficar esperando”, desabafa Francisca, que também lida com os efeitos colaterais do tratamento e um diagnóstico de depressão. Sua rotina foi drasticamente alterada, e ela se sente cada vez mais isolada.
Por que a imunoterapia foi recomendada?
A recomendação para a imunoterapia não se baseia apenas na progressão da doença, mas também nas características do tumor de Francisca. Exames mostraram que cerca de 20% das células tumorais expressam a proteína PD-L1, um marcador que sugere uma maior chance de resposta ao tratamento imunoterápico. Além disso, o tumor apresenta uma alta carga mutacional, o que aumenta ainda mais as possibilidades de sucesso com a imunoterapia.
O oncologista Stephen Stefani, do Grupo Oncoclínicas, afirma que Francisca é um caso clássico para a aplicação do pembrolizumabe. Ele explica que a imunoterapia atua de forma diferente da quimioterapia, pois não ataca diretamente as células cancerígenas, mas sim potencializa a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e combater o tumor.
Imunoterapia: uma opção aprovada, mas inacessível
Embora o pembrolizumabe seja aprovado e amplamente utilizado na rede privada, ele ainda não está incorporado ao SUS para o tratamento de câncer de pulmão. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ainda está analisando a inclusão deste medicamento. O Ministério da Saúde justifica que a incorporação de novas tecnologias depende de uma avaliação cuidadosa de eficácia e custo-efetividade.
Atualmente, o SUS oferece um valor fixo para o tratamento de câncer de pulmão, que é significativamente inferior ao custo do pembrolizumabe. Enquanto a família de Francisca estima que uma única sessão do tratamento na rede privada pode custar cerca de R$ 97 mil, o SUS paga em média R$ 1.100 por paciente.
A Justiça como última alternativa
Diante da negativa do SUS, Francisca recorreu à Justiça. O primeiro pedido foi negado, mas ela não desistiu e está aguardando o resultado de sua nova ação. A situação dela reflete um problema mais amplo no sistema de saúde, onde muitos pacientes enfrentam dificuldades similares ao tentar acessar tratamentos que poderiam salvar suas vidas.
O oncologista Stefani ressalta que o caso de Francisca é um exemplo da descompasso entre os avanços nas terapias e a capacidade do sistema público de incorporá-las rapidamente. “O que vemos é que o tratamento existe, mas não está disponível para todos que precisam”, afirma.
Enquanto aguarda uma decisão judicial, a saúde de Francisca continua a se deteriorar. A luta dela é um lembrete da importância de garantir que todos os pacientes tenham acesso a tratamentos inovadores e eficazes. Para mais informações sobre saúde e tratamentos, você pode visitar Em Foco Hoje.
Além disso, para entender mais sobre a imunoterapia e seu funcionamento, acesse a página da National Cancer Institute.



