O acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia, trouxe consequências devastadoras, afetando diretamente a vida de muitas pessoas. Este evento, que ficou marcado na história como um dos piores acidentes radiológicos, gerou um impacto que perdura até hoje.
Césio-137 vítimas e suas histórias
De acordo com dados oficiais, quatro pessoas faleceram diretamente em decorrência do acidente. Apesar disso, mais de mil indivíduos continuam a receber acompanhamento no Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), que foi criado em 2011 para oferecer suporte às pessoas afetadas pela exposição ao material radioativo.
O acidente aconteceu em 1987 e, desde então, as vítimas têm enfrentado desafios significativos em suas vidas. Entre os falecidos, destaca-se a história de Leide das Neves Ferreira, uma menina de apenas 6 anos, que foi uma das mais afetadas após brincar com o pó radioativo. Sua morte ocorreu em 23 de outubro daquele ano, e seu enterro foi realizado em um caixão de chumbo, pesando 700 quilos, para conter a radiação.
Outra vítima foi Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair Alves Ferreira, que também faleceu no mesmo dia que Leide, aos 37 anos. Ela adoeceu rapidamente após o contato com o material. Israel Batista dos Santos, um jovem de 20 anos que trabalhou na remoção do material, e Admilson Alves de Souza, de 18 anos, também perderam suas vidas em consequência do acidente.
O impacto do Césio-137 na saúde das vítimas
Além das mortes diretas, o acidente deixou um legado de problemas de saúde. O governo de Goiás realizou um monitoramento que avaliou mais de 112.800 pessoas, revelando que 249 delas apresentaram algum nível de contaminação, e 129 precisaram de acompanhamento médico contínuo.
As sequelas do Césio-137 não se limitaram apenas às vítimas imediatas. Muitas pessoas que sobreviveram ao impacto inicial enfrentaram problemas de saúde ao longo dos anos. Devair Alves Ferreira, o proprietário do ferro-velho onde o material foi encontrado, faleceu sete anos após o acidente, aos 43 anos, devido a uma parada cardiorrespiratória.
O pai de Leide, Ivo Alves Ferreira, também sofreu com os efeitos da radiação e faleceu 15 anos após o acidente, em decorrência de enfisema pulmonar. Outros, como Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair, se tornaram defensores dos direitos das vítimas e continuam a lutar por reconhecimento e apoio.
Apoio e assistência às vítimas do Césio-137
O Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara) desempenha um papel crucial no monitoramento da saúde das vítimas e de seus descendentes. Este órgão é fundamental para garantir que as pessoas afetadas recebam o cuidado necessário.
Recentemente, o governo de Goiás propôs um projeto para atualizar os valores das pensões pagas aos beneficiários que participaram da descontaminação da área afetada e no atendimento às vítimas. Para aqueles que tiveram contato direto com o Césio-137, o benefício mensal será aumentado significativamente.
- O valor das pensões para radiolesionados aumentará de R$ 1.908,00 para R$ 3.242,00.
- Os demais beneficiários também terão seus valores corrigidos, passando de R$ 954,00 para R$ 1.621,00.
Essas medidas visam proporcionar um suporte financeiro mais adequado às vítimas e suas famílias, reconhecendo os danos causados pelo acidente.
Relembrando o acidente com Césio-137
O trágico acidente teve início em 13 de setembro de 1987, quando dois homens retiraram um aparelho de radioterapia abandonado. Após a remoção do lacre da cápsula que continha Césio-137, o material foi vendido a um ferro-velho, onde foi distribuído entre amigos e familiares, sem que ninguém soubesse do perigo que representava.
Os primeiros sinais de contaminação surgiram rapidamente, levando a um alerta que culminou na identificação oficial do acidente em 29 de setembro. O físico Walter Mendes foi o responsável por confirmar os altos níveis de radiação e iniciar o processo de isolamento das áreas afetadas.
As consequências desse acidente ainda são sentidas, com 6 mil toneladas de rejeitos radioativos armazenados em Abadia de Goiás. A luta das vítimas e suas famílias por justiça e reconhecimento continua, refletindo a necessidade de um suporte contínuo e eficaz.
Para mais informações sobre o impacto do Césio-137 e as histórias das vítimas, você pode acessar a página do Em Foco Hoje. Além disso, para entender melhor os aspectos técnicos e históricos do acidente, consulte a Organização Mundial da Saúde.



