Iomar Souza, um pescador de 33 anos, fez uma captura impressionante no último sábado (21) no Rio Acre, em Assis Brasil. Ele pegou uma arraia-maçã, uma espécie considerada ameaçada de extinção. Essa captura não apenas surpreendeu Iomar, mas também chamou a atenção de muitos, especialmente nas redes sociais, onde um vídeo da pesca já acumulou mais de 17 mil visualizações.
A arraia-maçã, que pertence à espécie Paratrygon aiereba, é uma das maiores de água doce, podendo alcançar até 1,6 metro de largura e pesar cerca de 110 quilos. Iomar estava acompanhado de outros pescadores quando fez a captura, e a reação dele foi de espanto ao perceber que não era um peixe comum, mas sim uma arraia.
Iomar Souza e a Captura da Arraia
Em uma conversa, Iomar relatou que, ao puxar a linha, inicialmente pensou que estava lidando com um grande peixe. Ele não chegou a medir ou pesar o animal, mas usou como referência a largura do barco, que tem 1,20 metro. Ele recordou uma experiência anterior em que havia capturado uma arraia menor, que pesava 60 kg, e estimou que a nova captura poderia pesar aproximadamente 100 kg, dada sua semelhança em tamanho com o barco.
No vídeo que Iomar postou, ele expressa sua alegria pela captura, afirmando que não se trata de uma história exagerada. Ele destaca que essa é a maior arraia já registrada por um pescador no Rio Acre e que nunca havia visto uma desse tamanho em Assis Brasil.
Impacto da Captura na Espécie
Ao ser capturada, a arraia engoliu o anzol, levando os pescadores a decidirem abater o animal, já que, segundo Iomar, não haveria como soltá-la sem que ela sobrevivesse. Ele explicou que a carne da arraia é mais firme e que a maneira mais comum de prepará-la é desfiada.
Iomar, que tem mais de 25 anos de experiência na pesca, utilizou uma técnica tradicional conhecida como linha de espera. Essa técnica consiste em lançar a isca em um local estratégico e aguardar que o peixe se aproxime. Ele enfatizou que, apesar do tamanho do animal, não sentiu medo durante a captura.
Conservação da Arraia-Maçã
Lucena Rocha Virgilio, bióloga e doutora em ecologia de peixes da Universidade Federal do Acre (Ufac), destacou que a arraia-maçã está classificada como criticamente em perigo na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Essa classificação se deve à maturação sexual tardia e à baixa taxa reprodutiva da espécie, que dá à luz apenas dois filhotes a cada ciclo reprodutivo, que ocorre a cada dois anos.
Essa espécie é particularmente vulnerável, pois leva cerca de 30 a 35 anos para se reproduzir e, durante esse tempo, os filhotes se desenvolvem dentro do ventre da fêmea por nove meses. Normalmente, nasce um macho e uma fêmea. Lucena também destacou que essa arraia é uma das menos agressivas entre as de água doce, o que se deve ao seu tamanho. Ela cresce bastante, reduzindo a parte caudal e, em alguns casos, até perde o ferrão.
Reflexões sobre a Pesca e o Meio Ambiente
Iomar, ao compartilhar sua experiência, expressou orgulho pela pesca e a importância de contar essa história para as futuras gerações. Ele acredita que momentos como esses são significativos e que a pesca deve ser feita de forma responsável, considerando a conservação das espécies.
O impacto da pesca na biodiversidade é um tema que merece atenção, especialmente em regiões como o Acre, onde a fauna aquática é rica e diversificada. A preservação dos habitats naturais é crucial para garantir que espécies como a arraia-maçã possam continuar a existir.
Para mais informações sobre a conservação das espécies ameaçadas, você pode acessar ICMBio. Além disso, para acompanhar mais notícias relacionadas ao meio ambiente e pesca, visite Em Foco Hoje.



