Médicos em Cuba estão enfrentando uma situação angustiante em um hospital pediátrico, onde a escassez de recursos e equipamentos se tornou uma realidade alarmante. A pressão sobre o sistema de saúde da ilha aumentou consideravelmente, levando os profissionais a tomar decisões difíceis sobre quais crianças devem receber tratamento prioritário.
Médicos em Cuba enfrentam desafios diários
No Hospital Pediátrico Cardiocêntrico William Soler, em Havana, a equipe médica se vê obrigada a decidir quais pacientes, entre as crianças com condições críticas, devem ser atendidos primeiro. Este hospital é o único do tipo no país e atende a uma população vulnerável, composta por recém-nascidos e crianças com cardiopatias severas.
Recentemente, durante uma visita de jornalistas, foi possível observar mães ao lado de seus filhos em quartos mal iluminados, onde a luz natural era a única fonte de iluminação. A cardiologista Herminia Palenzuela, com 79 anos, afirmou que a situação é extremamente complicada. “As crianças com casos menos graves ficam no fim da lista, simplesmente esperando por recursos”, disse ela.
Impacto do bloqueio na saúde cubana
A crise no sistema de saúde cubano não é nova, mas se agravou com o bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos. Desde janeiro, essa restrição tem dificultado ainda mais o acesso a medicamentos e equipamentos essenciais. O diretor do hospital, Eugenio Selman, destacou que a escassez de recursos é um problema crônico, mas a situação atual atingiu níveis alarmantes.
Os hospitais enfrentam apagões diários, e o governo tenta priorizar as unidades de saúde, que estão equipadas com geradores. No entanto, muitos profissionais de saúde precisam caminhar longas distâncias para chegar ao trabalho devido à falta de transporte, o que agrava ainda mais a situação.
Recursos limitados e decisões difíceis
O cardiocentro possui 100 leitos, mas a utilização total é inviável, pois os médicos precisam racionar os insumos disponíveis. “Gostaríamos de operar mais, mas os recursos não permitem”, afirmou Palenzuela. A prioridade é sempre dada às crianças em risco iminente de morte, o que significa que muitos pacientes com condições menos críticas devem esperar.
Yaima Sánchez, mãe de um menino com taquicardia, expressou sua preocupação ao buscar atendimento. “Venho com a esperança de que os médicos me atendam com o que tiverem”, disse ela, ressaltando que a disponibilidade de equipamentos é incerta, muitas vezes devido à falta de baterias.
Ajuda humanitária e esforços internacionais
Recentemente, o hospital recebeu um carregamento de ajuda humanitária, incluindo medicamentos e alimentos, que foram enviados por um comboio internacional. Essa ajuda é vital para aliviar a situação crítica enfrentada pelos profissionais de saúde e pelos pacientes. A ativista italiana Martina Steinwurzel comentou: “A situação é claramente difícil, e por isso fazemos o que é justo: levar ajuda”.
Além disso, a ONU anunciou um plano emergencial para Cuba, que envolve a importação de combustível e a manutenção de serviços essenciais. O coordenador da ONU na ilha, Francisco Pichón, alertou sobre o risco de deterioração rápida da situação se as reservas de combustível se esgotarem, o que poderia resultar em perda de vidas.
Esperança em meio à crise
A realidade dos médicos em Cuba é marcada por desafios imensos, mas a esperança persiste. Apesar das dificuldades, a equipe médica continua a lutar para salvar vidas. A necessidade de apoio internacional e a busca por soluções sustentáveis são fundamentais para melhorar as condições de saúde na ilha.
Para mais informações sobre a situação em Cuba, você pode visitar a Organização Mundial da Saúde. Além disso, para atualizações sobre saúde e bem-estar, acesse Em Foco Hoje.



