A redução de sepse tardia é um tema crucial na saúde neonatal, especialmente quando se trata de bebês prematuros. A sepse, uma resposta inflamatória do corpo a infecções, é um dos principais riscos enfrentados por esses recém-nascidos. Um estudo recente da Unesp destaca a importância de intervenções simples e de baixo custo para diminuir a mortalidade entre prematuros.
Os pesquisadores identificaram que a introdução precoce do leite materno e a minimização do uso de antibióticos nos primeiros dias de vida podem ter um impacto significativo na saúde desses bebês. A sepse tardia, frequentemente relacionada a fatores ambientais, foi alvo de atenção especial pela Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais, que busca formas de prevenção através de mudanças nas práticas assistenciais.
Redução de sepse tardia em prematuros
Durante mais de dez anos, observou-se que apenas monitorar os casos de sepse não era suficiente. Em 2020, a taxa de incidência chegou a 30%, o que levou à necessidade de um projeto de intervenção. As professoras Ligia Maria Suppo de Souza Rugolo e Maria Regina Bentlin, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Unesp, foram designadas para coordenar o projeto “DownLOS”.
O objetivo principal era implementar ações que não apenas registrassem os dados, mas que efetivamente melhorassem as práticas e reduzissem a incidência de sepse tardia. Entre 2021 e 2023, doze centros participaram do projeto, resultando em uma queda de 18,5% na incidência geral de sepse tardia.
Como funciona a intervenção?
A intervenção começou com a identificação dos principais fatores de risco associados à sepse tardia. Os pesquisadores usaram metodologias consolidadas para mapear as causas e direcionar soluções. Foram identificadas práticas que aumentavam o risco, como o uso de antibióticos nas primeiras 48 horas de vida em bebês sem infecção e o início tardio da amamentação.
A utilização precoce de antibióticos pode causar disbiose intestinal, favorecendo infecções. Por outro lado, a amamentação precoce é uma estratégia vital. A alimentação com leite materno deve ser iniciada nas primeiras 24 horas de vida, garantindo que o bebê receba os nutrientes necessários para sua recuperação.
Resultados do estudo
O estudo acompanhou 1.993 bebês prematuros internados em UTIs neonatais. As medidas principais adotadas incluíram:
- Redução de complicações associadas a cateteres;
- Suspensão de antibióticos em até 48 horas para bebês sem infecção;
- Promoção da amamentação precoce, com alimentação completa até o 11º dia de vida.
Os resultados mostraram que metade dos centros atingiu as metas para complicações relacionadas a cateteres umbilicais, enquanto 92% conseguiram resultados positivos para cateteres percutâneos. Além disso, 67% dos recém-nascidos não infectados tiveram os antibióticos suspensos em 48 horas.
Próximas etapas do projeto
Em janeiro de 2026, os 24 centros da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais iniciarão uma nova fase do projeto, envolvendo também enfermeiros e técnicos de enfermagem. O engajamento de toda a equipe é fundamental para garantir que as práticas sejam mantidas e aprimoradas, visando a continuidade da redução de sepse tardia.
A expectativa é que essa iniciativa seja replicada em outras unidades neonatais, não apenas nas universitárias. O foco é que qualquer unidade tenha a capacidade de monitorar indicadores e melhorar suas práticas de cuidado.
O estudo reforça que a sepse tardia não é inevitável e que a qualidade do cuidado pode fazer uma diferença significativa. Medidas simples, como a higiene adequada e o manejo correto dos cateteres, são essenciais para mudar esse cenário. O leite materno, quando introduzido precocemente, é considerado uma terapia vital, reduzindo riscos de sepse e mortalidade.
Assim, a mensagem é clara: a redução de sepse tardia em prematuros é possível através de ações simples e eficazes, que dependem do compromisso das equipes de saúde. Para mais informações sobre cuidados neonatais, você pode visitar este site. Além disso, para mais detalhes sobre sepse e cuidados neonatais, consulte a Organização Mundial da Saúde.
