Os cuidados paliativos no Brasil são um tema de grande relevância, especialmente considerando os desafios que o país enfrenta para garantir um acesso igualitário a essa forma de assistência. A abordagem de cuidados paliativos visa aliviar o sofrimento de pacientes com doenças graves, oferecendo suporte não apenas físico, mas também emocional e social.
Cuidados paliativos no Brasil: uma realidade desigual
Lucia Freitas é um exemplo de como os cuidados paliativos podem impactar a vida de um paciente. Com 60 anos e jornalista, ela lida com as consequências de um câncer metastático. Após anos de remissão, a doença retornou, afetando sua qualidade de vida. Apesar das dificuldades, Lucia busca alternativas para melhorar seu bem-estar.
Ela está ciente dos medicamentos que podem prolongar sua vida, como o Trastuzumabe deruxtecana, uma imunoterapia de alto custo que não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). A luta pelo acesso a esse tratamento levou Lucia a buscar cuidados paliativos, uma decisão que tomou ao perceber que os efeitos colaterais da quimioterapia estavam afetando sua rotina diária.
Desafios estruturais e acesso limitado
Em maio de 2024, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), com diretrizes para integrar essa assistência em todos os níveis do SUS. Contudo, os dados demonstram que, até agora, apenas 37 equipes de cuidados paliativos foram habilitadas, um número ainda insuficiente para atender a demanda de um país tão extenso.
O levantamento da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) revela que existem cerca de 200 serviços especializados, concentrados principalmente na região Sudeste. Isso evidencia a desigualdade no acesso a cuidados paliativos, que ainda é um desafio em várias partes do Brasil.
Compreendendo os cuidados paliativos
É importante destacar que cuidados paliativos não significam desistir do tratamento. Essa abordagem pode ser integrada ao tratamento convencional, visando o controle de sintomas como dor, náuseas e ansiedade. A assistência paliativa deve ser considerada desde o início do diagnóstico, e não apenas em estágios finais da doença.
O objetivo é proporcionar uma melhor qualidade de vida, permitindo que os pacientes continuem recebendo tratamentos enquanto gerenciam os sintomas de forma eficaz. Isso inclui a colaboração entre equipes de saúde que podem ajustar medicações e oferecer suporte emocional e social.
O estigma e a resistência ao encaminhamento
Lucia, por exemplo, teve que buscar informações sobre cuidados paliativos por conta própria. A equipe oncológica não a orientou sobre essa possibilidade. Essa falta de comunicação é um reflexo do estigma que ainda cerca o termo “paliativo”, frequentemente associado à desistência do tratamento. Essa percepção errônea pode levar tanto pacientes quanto profissionais de saúde a adiar o encaminhamento para cuidados paliativos.
A formação dos profissionais de saúde também é um aspecto crucial. O ensino de cuidados paliativos ainda não é uma parte obrigatória da formação em medicina e enfermagem na maioria das instituições, o que limita a capacidade de oferecer essa assistência de forma adequada.
Impacto da cultura na assistência
A cultura em torno da morte e do cuidado no Brasil também influencia o acesso a cuidados paliativos. Muitas vezes, as decisões sobre o tratamento são tomadas sem considerar as preferências do paciente, o que pode resultar em sofrimento desnecessário. É fundamental que os pacientes tenham a oportunidade de expressar suas vontades e que as equipes de saúde estejam preparadas para respeitar essas decisões.
A adoção de cuidados paliativos desde o início do tratamento pode levar a uma melhor gestão dos sintomas e a uma experiência mais digna para os pacientes e suas famílias. A comunicação aberta e a formação adequada dos profissionais são essenciais para mudar essa realidade.
O futuro dos cuidados paliativos no Brasil
O caminho para a expansão dos cuidados paliativos no Brasil é desafiador, mas não impossível. A implementação efetiva da Política Nacional de Cuidados Paliativos é um passo importante, mas requer um compromisso contínuo de todos os níveis de governo e da sociedade.
É necessário um esforço conjunto para garantir que todos os pacientes tenham acesso a cuidados paliativos de qualidade, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica. Para mais informações sobre cuidados paliativos, você pode acessar a página da Organização Mundial da Saúde.
Além disso, é fundamental que os pacientes e suas famílias busquem informações e se empoderem sobre seus direitos. Para mais conteúdos sobre saúde, acesse Em Foco Hoje.



