A recente decisão do governo de zerar o imposto de importação sobre insumos para canetas emagrecedoras tem gerado grande repercussão. Essa medida é parte de um esforço mais amplo para facilitar a produção de medicamentos essenciais no Brasil.
Imposto de importação zerado para canetas emagrecedoras
O governo federal aprovou a isenção do imposto de importação sobre componentes utilizados na fabricação de canetas emagrecedoras pela farmacêutica EMS. Essa decisão foi tomada na última quinta-feira pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex). A alíquota, que era de 14,4%, foi reduzida para 0% por um período de 365 dias, com um limite de 30 milhões de unidades.
A medida atende parcialmente ao pedido da EMS e faz parte de um pacote do governo que eliminou tarifas sobre quase mil itens devido à baixa oferta ou à ausência de produção nacional. Essa lista inclui medicamentos utilizados no tratamento de doenças como diabetes e Alzheimer, além de insumos agrícolas e produtos de nutrição hospitalar.
Motivações para a isenção do imposto
A análise técnica do governo indicou que a quantidade solicitada pela EMS era superior ao que era realmente necessário, pois não correspondia ao consumo informado pela empresa. Por exemplo, a cota anterior foi utilizada em apenas 43% ao longo de quase cinco meses. Assim, o comitê decidiu limitar a importação a 30 milhões de unidades, garantindo que a oferta de produtos não falte, mas sem conceder um benefício excessivo ao mercado.
O impacto financeiro dessa medida é significativo, ultrapassando US$ 1 milhão. Este valor é utilizado pelo governo como referência para avaliar pedidos desse tipo, que são feitos quando há escassez de produtos no mercado.
Componentes importados e sua importância
Os insumos que estão sendo importados são fundamentais para a fabricação de canetas aplicadoras de medicamentos como liraglutida e semaglutida, que são utilizados principalmente no tratamento de diabetes e obesidade. A justificativa para a isenção do imposto é a falta temporária de produção local desses componentes, que são considerados essenciais para o sistema de saúde.
A China se destaca como o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, respondendo por 35,6% das importações. O comitê ressaltou que esses produtos são amplamente utilizados para controlar a dosagem de medicamentos voltados ao tratamento de diabetes e obesidade, reforçando a relevância da solicitação sob a perspectiva da saúde pública.
Investimentos da EMS e desafios regulatórios
A EMS, que está localizada em Hortolândia (SP), investiu R$ 1,2 bilhão na produção nacional de semaglutida, a substância ativa em medicamentos como Ozempic e Wegovy. Com a expiração da patente da Novo Nordisk, a empresa ampliou sua fábrica, que agora tem capacidade para produzir até 20 milhões de canetas anualmente.
Apesar desse investimento substancial, a EMS ainda depende da importação de componentes para manter a produção em andamento. As novas versões do medicamento ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro, pois aguardam a aprovação regulatória, que é um processo rigoroso devido à complexidade do produto.
Aprovação na Anvisa e expectativas futuras
A EMS possui um pedido em análise na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que está entre os mais avançados, embora ainda necessite de esclarecimentos adicionais sobre segurança. O prazo para a resposta final pode chegar a 120 dias. No total, existem 17 solicitações em avaliação na Anvisa, sendo três delas em estágio mais avançado, incluindo a da EMS. A expectativa é que pelo menos uma versão do medicamento seja liberada nos próximos meses.
É importante ressaltar que a redução de preços não deve ocorrer de forma imediata, uma vez que não haverá genéricos tradicionais disponíveis, mas sim versões similares que exigem desenvolvimento próprio e, portanto, podem oferecer descontos menores.
Com essas mudanças, o cenário para a produção de canetas emagrecedoras no Brasil pode se transformar, refletindo não apenas na saúde pública, mas também na economia do setor farmacêutico. Para mais informações sobre o impacto de políticas de importação, acesse Em Foco Hoje. Além disso, você pode conferir detalhes sobre regulamentações de medicamentos no site da Anvisa.



