A situação de Eloan Guilherme Soares, um jovem de apenas 15 anos, chamou a atenção para a grave crise enfrentada no Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, em Belém. O adolescente faleceu enquanto aguardava atendimento adequado, levantando questões sobre a qualidade do suporte médico disponível na unidade de saúde.
O pai de Eloan, Eliel Soares, expressou sua indignação em uma entrevista, afirmando que seu filho foi vítima de um “descaso total”. Ele relatou que a família enfrentou uma verdadeira odisséia para conseguir atendimento, viajando 143 km de Igarapé-Miri até Belém com um encaminhamento médico por suspeitas de meningite. Durante esse trajeto, o adolescente passou por outros hospitais, mas não recebeu o atendimento necessário.
Eloan Guilherme Soares e a falta de neurocirurgiões
Ao chegar ao PSM da 14 de Março, Eloan foi submetido a uma cirurgia de emergência para drenar um excesso de líquido no cérebro. No entanto, a situação se agravou devido à ausência de neurocirurgiões, que estavam em greve desde março, alegando falta de pagamento. O pai do jovem descreveu a experiência como uma verdadeira negligência, afirmando que seu filho foi “abandonado” no hospital.
Durante a internação, Eliel notou que os exames realizados em Eloan, que poderiam confirmar a infecção, sumiram. Ele relatou que a equipe médica não conseguia fornecer respostas claras sobre a condição do filho, que apresentava sintomas graves, como tremores e vômitos.
Demandas por justiça e melhorias no sistema de saúde
A morte de Eloan não apenas devastou sua família, mas também levantou um clamor por justiça e melhorias no sistema de saúde pública. Eliel Soares afirmou: “Nós pagamos impostos e, na hora que precisamos, somos negligenciados”. Ele espera que seu caso sirva como um alerta para que outras crianças não passem pelo mesmo sofrimento.
O Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) denunciou a situação crítica no PSM da 14 de Março, onde pacientes estão sendo atendidos nos corredores devido à falta de profissionais. A unidade é a única na cidade que oferece atendimento 24 horas em neurologia e neurocirurgia, atendendo cerca de 150 casos por dia. No entanto, a suspensão dos serviços por mais de duas semanas tem gerado um impacto significativo na saúde da população.
Reações e medidas em andamento
A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE/PA) já entrou com uma ação judicial contra a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), exigindo explicações sobre a falta de neurocirurgiões e a situação do PSM. A prefeitura, por sua vez, afirmou que os pacientes estão sendo transferidos para unidades particulares, mas essa solução não é vista como suficiente por muitos.
Além disso, a falta de medicamentos e insumos essenciais tem sido uma preocupação constante. Casos como o de uma adolescente com síndrome nefrótica, que ficou sem tratamento adequado, refletem a gravidade da situação. A população exige respostas e ações concretas para evitar que tragédias como a de Eloan se repitam.
O impacto da negligência na saúde pública
A morte de Eloan Guilherme Soares é um triste lembrete da importância de um sistema de saúde eficiente e acessível. A falta de neurocirurgiões e a interrupção dos serviços no PSM da 14 de Março não são apenas questões administrativas, mas refletem um problema maior que afeta a vida de muitos cidadãos.
A situação exige atenção imediata das autoridades e um compromisso real com a saúde pública. A população não pode continuar a sofrer com a falta de atendimento adequado e a negligência nas unidades de saúde. É fundamental que ações sejam tomadas para garantir que todos tenham acesso a cuidados médicos de qualidade.
Para mais informações sobre a situação da saúde pública em Belém e outras notícias, acesse Em Foco Hoje. Além disso, você pode encontrar informações relevantes sobre saúde pública em sites como Organização Mundial da Saúde.



