A recente decisão da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) sobre os vetos da governadora Raquel Lyra à Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 gerou debates intensos. Os vetos foram mantidos, refletindo a tensão entre o Executivo e o Legislativo. Essa situação é um exemplo claro das complexidades da gestão orçamentária no estado.
O projeto da LOA, que foi apresentado pelo governo em 3 de outubro de 2025, passou por um período de incertezas e disputas. Durante mais de 80 dias, o orçamento ficou em suspenso, o que gerou a necessidade de ajustes e reavaliações. A Alepe, ao impor modificações ao texto original, acabou criando um cenário em que dois orçamentos coexistiram, um enviado pelo governo e outro aprovado pela Assembleia.
Raquel Lyra Vetos e a Votação na Alepe
No dia 31, a Alepe decidiu, em sessão plenária, manter os vetos da governadora Raquel Lyra. O resultado foi de 29 votos a favor e 10 contra. Essa votação foi um reflexo das tensões que cercaram a elaboração do orçamento, que incluía mudanças significativas, como um aumento de R$ 350 milhões na arrecadação prevista.
As discussões acaloradas na Alepe culminaram em um episódio notório, onde um parlamentar teve seu microfone arrancado durante a tentativa de aprovação da LOA. Isso ilustra a polarização que permeou o processo orçamentário. A proposta original foi aprovada em 16 de dezembro, mas as alterações feitas pelos deputados provocaram a reação da governadora, que vetou a maioria delas.
Impacto das Mudanças na Lei Orçamentária
As mudanças propostas pelos deputados incluíam a realocação de recursos para áreas não previstas pelo Executivo, como a construção de um hospital em Petrolina. Essa decisão gerou um descontentamento significativo no governo, que considerou as alterações inadequadas e não alinhadas com suas prioridades.
Após os vetos, o presidente da Alepe, Álvaro Porto, publicou um ato que desconsiderava as objeções da governadora, alegando que os requisitos formais não foram seguidos. Essa ação levou à promulgação da LOA na forma que os deputados haviam aprovado, o que gerou um impasse legal. O governo, por sua vez, obteve um mandado de segurança no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que anulou a promulgação feita pela Alepe.
Desdobramentos Futuros da LOA
Na sessão do dia 31, a votação sobre os vetos foi decisiva, mas ainda restam questões pendentes. Uma das alterações feitas pelos deputados foi a redução do percentual de remanejamento do orçamento de 20% para 10%. Essa mudança impacta diretamente a flexibilidade do governo em gerir os recursos. Uma proposta para restaurar o percentual anterior foi apresentada, mas a bancada governista optou por não comparecer à votação, evitando assim que o projeto fosse aprovado.
Esse cenário de incerteza deve ser reavaliado nos próximos dias, especialmente com a expectativa de que novas discussões sobre a LOA ocorram em abril. A situação atual destaca a necessidade de um diálogo mais eficaz entre os poderes Executivo e Legislativo.
Considerações Finais sobre a Gestão Orçamentária
A situação em Pernambuco é um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos estados na gestão de suas finanças públicas. A interação entre a Alepe e o governo de Raquel Lyra é um exemplo de como as decisões orçamentárias podem ser complexas e repletas de desafios. O futuro da Lei Orçamentária e suas implicações para o estado ainda estão em aberto, e a população aguarda por soluções que atendam às necessidades da sociedade.
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