A pesquisa sobre fatores emocionais câncer mostra que a crença de que estresse e sofrimento emocional podem causar a doença é infundada. Um estudo abrangente, que incluiu mais de 421 mil participantes, não encontrou evidências que suportem essa relação na maioria dos casos.
O estudo, publicado na revista Cancer, analisou dados de 22 grupos ao redor do mundo, com um total de 421.799 indivíduos e mais de 35 mil diagnósticos de câncer. Os pesquisadores focaram em variáveis como suporte social, eventos de perda, estado de relacionamento, neuroticismo e sofrimento psicológico.
Fatores emocionais câncer: resultados do estudo
Os resultados foram claros: não houve associação entre fatores psicossociais e o câncer em geral. Isso se aplica a tipos comuns de câncer, como mama, próstata e colorretal. O mesmo se observa em tumores relacionados ao consumo de álcool.
Os dados permaneceram consistentes mesmo após ajustes para variáveis como idade, sexo e estilo de vida. Os autores do estudo enfatizam que essa pesquisa ajuda a evitar a culpabilização dos pacientes, que muitas vezes se sentem responsáveis pela doença devido a suas emoções.
Exceção do câncer de pulmão
A única exceção encontrada foi no câncer de pulmão. Alguns fatores, como baixo suporte social e a perda recente de um ente querido, mostraram uma correlação com um risco aumentado. No entanto, essa associação se tornou menos significativa quando os pesquisadores consideraram o tabagismo, que é um fator de risco conhecido.
Os autores sugerem que o sofrimento psicológico pode levar a comportamentos de risco, como fumar, mas não é a causa direta do câncer de pulmão. A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Clarissa Baldotto, observa que essa descoberta é crucial para evitar a atribuição de culpa aos pacientes.
Por que a crença persiste?
Apesar das evidências, a ideia de que o estresse causa câncer continua a ser amplamente divulgada. Os pesquisadores acreditam que isso pode ser devido ao fato de que muitos diagnósticos ocorrem após períodos emocionalmente difíceis. Além disso, existe uma tendência de buscar explicações emocionais para doenças graves.
Baldotto ressalta que a mensagem principal é que o sofrimento emocional deve ser tratado, mas não deve ser considerado a causa da maioria dos casos de câncer. O câncer é uma condição multifatorial, e reconhecer os principais fatores de risco é essencial para a educação da população.
Foco em fatores comprovados
Com base nas descobertas, os autores do estudo ressaltam que a prevenção do câncer deve se concentrar em fatores bem estabelecidos, como:
- Tabagismo
- Consumo de álcool
- Obesidade
Uma publicação recente da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) estima que quase 40% dos novos casos de câncer em 2022 foram atribuídos a fatores de risco modificáveis. O tabagismo, em particular, é responsável por uma parte significativa desses casos.
O que os médicos observam na prática clínica
Profissionais de saúde confirmam que, na prática clínica, os fatores que mais influenciam o desenvolvimento do câncer são relacionados ao estilo de vida, como tabagismo, consumo de álcool e obesidade. Embora fatores emocionais sejam relevantes para a saúde geral, eles não têm o mesmo peso que os determinantes diretos do câncer.
O estudo também sugere que políticas públicas devem priorizar ações como controle do tabaco, regulação do álcool e promoção de hábitos saudáveis. A saúde mental é importante, mas deve ser abordada de maneira que não desvie o foco dos fatores de risco mais significativos.
Limitações do estudo
Embora o número de participantes seja impressionante, os autores reconhecem algumas limitações. Os fatores psicossociais foram avaliados em um único momento, e mudanças ao longo do tempo não foram capturadas. Além disso, a confusão residual, como o tabagismo, pode não ter sido totalmente considerada.
Baldotto admite que pode haver um papel não identificado para fatores emocionais, mas enfatiza que, com as melhores evidências disponíveis, não há suporte para afirmar que eles aumentam diretamente o risco da maioria dos cânceres.
Por fim, especialistas concordam que cuidar da saúde mental continua sendo essencial, mesmo que não haja uma relação direta com o surgimento do câncer. O sofrimento emocional pode impactar a qualidade de vida e a adesão a tratamentos. Pacientes que mantêm uma atitude positiva tendem a identificar complicações mais cedo e a seguir hábitos saudáveis.
Para mais informações sobre saúde e bem-estar, visite Em Foco Hoje. Para entender mais sobre o câncer e seus fatores de risco, confira o site da National Cancer Institute.



