Prédio tombado em SP pode ter sua proteção revogada após um pedido da proprietária. O edifício, situado na Avenida Angélica, em Higienópolis, foi reconhecido pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). A solicitação para o destombamento foi feita pela empresa proprietária, que argumenta que o local não possui relevância arquitetônica ou urbanística.
Prédio Tombado em SP e Sua Arquitetura
O edifício abriga a Escola Panamericana de Arte e Design e se destaca por sua arquitetura única. A estrutura metálica vermelha é visível tanto no interior quanto no exterior do prédio. Elementos como túneis cilíndricos formam as passagens de acesso, enquanto o topo apresenta um acabamento em forma de pirâmide. O projeto é de Siegbert Zanettini, um arquiteto renomado, e foi desenvolvido entre os anos 1970 e 2000, um período caracterizado pela arquitetura pós-moderna.
A Argumentação da Proprietária
No recurso apresentado ao Conpresp, a empresa responsável pelo imóvel alega que o tombamento não deve ser utilizado como uma simples homenagem a arquitetos. A defesa argumenta que as restrições impostas pelo tombamento são inadequadas e limitam o uso do espaço. A discussão sobre a relevância do edifício se intensificou, levando a um debate mais amplo sobre a preservação do patrimônio arquitetônico na cidade.
A Defesa da Preservação
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) se posiciona a favor da preservação do prédio. De acordo com Maíra Barros, coordenadora da CAU-SP, o edifício é um marco significativo da arquitetura paulista, representando um estilo específico que se destacou nas últimas décadas do século XX. Ela enfatiza a importância de reconhecer esse exemplar, pois ele reflete técnicas construtivas únicas da época.
Visita ao Local e Votação Adiada
A votação sobre o pedido de destombamento da Escola Panamericana estava agendada para uma reunião do Conpresp. No entanto, a análise foi adiada. O presidente do conselho acatou um pedido da empresa proprietária para que os conselheiros realizem uma visita ao local antes de tomar uma decisão final. Com isso, a votação foi suspensa temporariamente, sem uma nova data definida para a próxima sessão.
Histórico do Tombamento
O processo de tombamento do prédio na Avenida Angélica foi iniciado após a demolição de outro edifício da mesma escola, localizado na Rua Groenlândia, em 2021. O projeto, também assinado por Siegbert Zanettini, foi derrubado antes que o Conpresp pudesse avaliar sua importância arquitetônica. A nova construção no local é um edifício residencial de alto padrão, o que levanta questões sobre a proteção do patrimônio histórico na cidade.
Impacto das Demolições em São Paulo
Casos como o da Escola Panamericana têm alimentado um debate crucial sobre a preservação do patrimônio arquitetônico em São Paulo. Em abril de um ano recente, um prédio construído nos anos 1980 pelo arquiteto modernista Rino Levi, localizado em Pinheiros, também foi demolido. Esse imóvel fazia parte do acervo de estudos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) e, sem a proteção do órgão municipal, acabou sendo transformado em entulho.
O futuro do prédio tombado em SP ainda está em aberto, e a discussão sobre sua relevância arquitetônica continua. A preservação do patrimônio histórico é um tema que merece atenção, pois reflete não apenas a história da cidade, mas também a identidade cultural de seus habitantes. A importância de manter esses edifícios é fundamental para a memória coletiva e para a valorização do espaço urbano.
Com a possibilidade de destombamento, o debate sobre o que constitui um patrimônio digno de proteção se intensifica. O caso da Escola Panamericana de Arte e Design é um exemplo claro de como a arquitetura pode ser um reflexo das transformações sociais e culturais ao longo do tempo. A preservação de tais edifícios é essencial para garantir que as futuras gerações possam compreender e apreciar a história que eles representam.



