As mortes de mulheres pela polícia em São Paulo estão em um nível alarmante, com registros que superam todos os anos anteriores desde o início da série histórica. Em fevereiro deste ano, três mulheres foram mortas em ações policiais, o que representa um aumento significativo em comparação a anos anteriores, onde em alguns períodos não houve nenhuma vítima feminina.
Os casos de mortes de mulheres pela polícia em São Paulo revelam um padrão preocupante. Historicamente, a maioria das vítimas em ações policiais são homens, com registros de anos como 2013, 2014 e 2021, onde não houve nenhuma mulher entre os mortos. No entanto, a situação mudou drasticamente em 2026, quando três mulheres perderam a vida em circunstâncias que levantam sérias questões sobre o uso da força pela Polícia Militar.
Mortes de mulheres pela polícia em 2026
Os incidentes que resultaram nas mortes de mulheres ocorreram em diferentes localidades, incluindo Guaiçara, Limeira e na Casa Verde, na Zona Norte da capital paulista. Esses eventos marcam o início de um ano que já se mostra como o mais letal para mulheres em ações policiais, de acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública.
Além disso, o caso de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, que foi morta por uma policial em Cidade Tiradentes, ilustra a gravidade da situação. A abordagem que resultou em sua morte foi caracterizada por abusos e violência, levantando preocupações sobre o treinamento e os protocolos seguidos pela Polícia Militar.
Crescimento das mortes de mulheres pela polícia
As três mortes de mulheres em fevereiro representam cerca de 1,6% do total de 188 pessoas que perderam a vida em ações policiais em São Paulo até o momento. Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esse aumento reflete um descontrole no uso da força, mais do que uma mudança nas dinâmicas criminais.
Samira também destaca que não é comum que policiais mulheres estejam envolvidas em casos de morte, como ocorreu com Thawanna, que foi atingida por um disparo da soldado Yasmin Cursino Ferreira. A situação atual é alarmante, com um aumento significativo nas mortes de mulheres pela polícia desde 2023, que já resultaram em 40% das mortes de mulheres desde o início da série histórica.
Impacto das políticas de segurança
O aumento das mortes de mulheres pela polícia coincide com mudanças nas políticas de segurança pública. Em 2025, o governo alterou o modelo de câmeras corporais, que deixaram de registrar continuamente. Essa mudança pode ter contribuído para o aumento das mortes, já que as gravações são essenciais para a supervisão das ações policiais.
Em 2024, as mortes causadas por policiais militares cresceram 65% em relação ao ano anterior, um aumento que foi considerado o maior do país. Em contraste, 2022 foi um ano em que o estado registrou o menor número de mortes em serviço, o que demonstra que as mudanças nas políticas de segurança podem ter um impacto direto nas ações policiais.
Investigação das mortes de mulheres pela polícia
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirma que todas as mortes resultantes de intervenções policiais são rigorosamente investigadas. As circunstâncias de cada caso são analisadas individualmente, com acompanhamento das corregedorias e do Ministério Público. Apesar disso, muitos especialistas questionam a eficácia dessas investigações e a real intenção de reduzir a letalidade nas ações policiais.
O caso de Thawanna, em particular, foi marcado por uma série de abusos desde o início da abordagem. O tenente-coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, Adilson Paes de Souza, descreveu a situação como um “absurdo” e uma sequência de erros que culminaram em sua morte. Ele enfatiza que as normas da polícia não são seguidas, especialmente em áreas periféricas, onde as abordagens muitas vezes são motivadas por preconceitos raciais e socioeconômicos.
Desdobramentos e reflexões
O aumento das mortes de mulheres pela polícia em São Paulo não é apenas um problema local, mas um reflexo de questões mais amplas relacionadas à segurança pública e ao tratamento desigual de diferentes grupos sociais. A situação exige uma reflexão profunda sobre as práticas policiais e a necessidade de reformas que garantam a proteção dos direitos humanos.
O impacto dessas mortes vai além das estatísticas, afetando famílias e comunidades inteiras. A sociedade precisa se mobilizar para exigir mudanças e garantir que ações policiais sejam realizadas de forma responsável e respeitosa. Para mais informações sobre segurança pública e direitos humanos, você pode acessar este link e também consultar dados relevantes em fontes confiáveis como o Governo Federal.



