A superlotação em MT é um problema crítico que afeta mais de 13 mil presos. Recentemente, a Justiça de Mato Grosso estabeleceu um prazo de 60 dias para que o governo do estado apresente um plano eficaz para resolver essa questão. A determinação foi emitida pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, em uma decisão que reflete a urgência da situação.
Superlotação em MT e suas consequências
O secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, será notificado pessoalmente para garantir que a ordem judicial seja cumprida. O problema da superlotação não é recente, e a Justiça já havia alertado sobre a necessidade de adequação das unidades prisionais. Dados do Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU) indicam que 13.201 detentos estão em regime semiaberto sem a estrutura necessária para a execução de suas penas.
Um dos pontos críticos abordados na decisão judicial é a unidade prisional em Cuiabá, que, embora já esteja construída, ainda não foi ativada para o regime semiaberto. A falta de funcionamento dessa unidade é vista como um descumprimento das determinações judiciais anteriores.
Medidas exigidas pela Justiça
A Justiça determinou que o governo apresente um plano detalhado que inclua:
- A data para o início do funcionamento da unidade em Cuiabá.
- As ações administrativas e operacionais que ainda precisam ser implementadas.
- O número inicial de vagas que estarão disponíveis.
- Informações sobre as unidades que estão previstas para Rondonópolis, Cáceres, Sinop e Água Boa, incluindo o estágio atual das obras.
Além disso, o governo deve informar sobre a situação orçamentária e as etapas administrativas necessárias para a conclusão das obras e o início do funcionamento das novas unidades.
Implicações legais e administrativas
A Justiça negou um pedido do governo para suspender o processo, afirmando que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2020 não pode ser utilizado indefinidamente para postergar o cumprimento das obrigações. Caso o plano não seja apresentado dentro do prazo estipulado, o governo poderá enfrentar sanções, incluindo uma multa de R$ 50 mil e outras medidas, como o afastamento do cargo do secretário.
O problema da superlotação em MT não é isolado. Entre janeiro e março deste ano, cinco presídios foram interditados ou notificados devido a condições inadequadas. A situação no Centro de Detenção Provisória de Tangará da Serra, que operava acima de sua capacidade, é um exemplo claro da crise que o sistema prisional enfrenta.
Condições precárias e a necessidade de ação
As vistorias realizadas nas unidades prisionais revelaram condições alarmantes, com presos dormindo no chão e instalações em estado crítico. A Justiça, ciente da gravidade da situação, está tomando medidas emergenciais, incluindo a análise da possibilidade de antecipação da progressão de regime para mais de 100 detentas em Cuiabá, como forma de aliviar a pressão sobre o sistema.
Essas ações são essenciais para garantir que os direitos dos detentos sejam respeitados e que as condições de encarceramento sejam adequadas. A superlotação em MT é um reflexo de um sistema que precisa de reformas urgentes e efetivas.
O governo do estado deve agir rapidamente para evitar que a situação se agrave ainda mais. A criação de novas vagas e a melhoria das condições das unidades prisionais são fundamentais para a justiça e para a sociedade.
Para mais informações sobre o sistema prisional e suas condições, você pode visitar o site do Ministério da Justiça. Além disso, acompanhe as atualizações sobre o tema em Em Foco Hoje.



