A Cidade Livre abrigos trabalhadores foi um espaço fundamental para os operários que contribuíram para a construção de Brasília. Localizada a cerca de 15 km do centro da nova capital, essa área, que hoje é conhecida como Núcleo Bandeirante, surgiu em 1956. O local serviu como um ponto de apoio para aqueles que se mudaram para o Planalto Central em busca de novas oportunidades.
Cidade Livre e suas características
A estrutura da Cidade Livre era bastante simples, com chão de terra batida e acampamentos improvisados. Os operários que ali se estabeleceram não pagavam impostos, mas eram limitados a construir apenas com madeira. Essa regra foi imposta pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP), que pretendia facilitar a desmontagem das construções após a inauguração de Brasília.
Além de ser um espaço de moradia, a Cidade Livre também oferecia opções de lazer. Os trabalhadores podiam desfrutar de um comércio variado, que incluía pousadas, bares, restaurantes, igrejas e até um cinema. Maria Fernanda Derntl, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, destaca que a Cidade Livre era um lugar vibrante e essencial para os que estavam envolvidos na construção da nova capital.
O cotidiano dos candangos
A promessa de uma nova vida atraiu milhares de pessoas de diferentes regiões do Brasil. Os candangos, como eram chamados os trabalhadores, encontraram na Cidade Livre um símbolo de suas esperanças e desafios. Mesmo com a proibição de novas moradias em 1957, a área continuou a crescer, refletindo a determinação de seus habitantes.
O cronista Clemente Luz retratou a vida dos candangos, descrevendo o trabalho árduo que enfrentavam, com jornadas de até 18 horas diárias. Ele capturou a essência do entusiasmo e da luta dos trabalhadores, que se reuniam à noite para cantar canções regionais, criando um ambiente de camaradagem e esperança. Contudo, a rotina era marcada pela dura realidade do trabalho, que começava com o toque da sirene ao amanhecer.
A liberdade da Cidade Livre
O nome “Cidade Livre” não foi escolhido por acaso. O local era isento de impostos e tributos, o que favorecia o comércio local. José Gomes, doutor em História Cultural, explica que essa liberdade econômica permitiu um crescimento rápido dos serviços e do comércio. No entanto, essa liberdade era limitada, pois muitos trabalhadores viviam em condições precárias, sem acesso a direitos plenos.
A denominação de “livre” se mostrava contraditória, pois, embora houvesse liberdade para comercializar, muitos operários enfrentavam exclusão e precariedade. As grandes avenidas da Cidade Livre eram habitadas por trabalhadores que, apesar de sua contribuição, não conseguiam se estabelecer plenamente na nova capital.
Transição para a cidade-satélite
Com a aproximação da inauguração de Brasília em 1959, a Cidade Livre enfrentava sua data de validade. Os moradores e comerciantes locais formaram a Associação Comercial de Brasília (ACB) para lutar pela permanência na região. A regularização da área só ocorreu durante o governo de João Goulart, quando Brasília já havia sido oficialmente inaugurada.
Em 1961, o Núcleo Bandeirante foi reconhecido como uma cidade-satélite. Lucio Costa, ao saber da notícia, buscou apoio para impedir essa mudança, acreditando que a população deveria se transferir gradualmente para as novas cidades-satélites. O Núcleo Bandeirante se tornou um testemunho da luta e da resistência dos seus habitantes, que buscavam garantir seu lugar na nova estrutura urbana.
Legado da Cidade Livre
Atualmente, o Núcleo Bandeirante abriga cerca de 25 mil pessoas, segundo dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios. A luta dos moradores para permanecer na Cidade Livre é um exemplo de resistência e transformação diante das mudanças urbanas em Brasília. Essa área, que começou como um espaço provisório, conseguiu se consolidar como parte integrante da nova capital.
Para mais informações sobre a história e a cultura do Distrito Federal, visite Em Foco Hoje. Além disso, você pode explorar mais sobre a história de Brasília em fontes confiáveis, como a página do governo.



