Dólar opera em alta, refletindo a atenção dos investidores em relação ao conflito no Oriente Médio. Na abertura desta terça-feira, a moeda americana apresentou uma alta de 0,21%, sendo cotada a R$ 5,1751 por volta das 9h10. O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, deve iniciar suas atividades às 10h.
Os mercados globais demonstram uma certa estabilidade após a tensão gerada pela escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Essa mudança de cenário ocorreu após declarações do presidente Donald Trump, que indicou que a guerra estaria “praticamente terminada” e sugeriu a possibilidade de flexibilização das sanções relacionadas ao petróleo.
Dólar opera em alta e os impactos do petróleo
Apesar dos sinais de alívio, ainda persiste a incerteza sobre quando o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz será normalizado. Essa passagem é uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo, o que mantém os mercados em constante vigilância e suscetíveis a oscilações.
Na manhã de hoje, os preços do petróleo registraram uma queda, após terem atingido os níveis mais altos em mais de três anos no dia anterior. Por volta das 9h30, o Brent, que é a referência internacional, estava em queda de 5,54%, sendo negociado a US$ 93,48 por barril nos contratos para entrega em maio. O petróleo WTI, que é a referência nos EUA, também apresentou recuo de 4,91%, cotado a US$ 90,13 por barril nos contratos para abril.
Acumulados do Dólar e Ibovespa
O acumulado do dólar nesta semana é de -1,52%, enquanto no mês apresenta uma alta de 0,59%. No acumulado do ano, a moeda americana registra uma queda de 5,91%. Em relação ao Ibovespa, o acumulado da semana é de +0,86%, com um acumulado mensal de -4,17% e um acumulado do ano de +12,28%.
O vai e vem do petróleo
Recentemente, os preços do petróleo dispararam, chegando a aumentar até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril. Essa forte alta foi impulsionada pelas preocupações relacionadas à guerra no Oriente Médio, que já se estende por mais de uma semana sem sinais de trégua. Parte da pressão sobre os preços se deve aos ataques recentes a campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, que resultaram na redução da produção.
Além disso, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait também diminuíram sua produção em resposta a ataques iranianos em seus territórios. No entanto, ao longo do dia, surgiram indícios de que os países do G7 estão considerando liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo, o que trouxe um certo alívio para os preços da commodity.
Declarações de Donald Trump e suas consequências
Em uma entrevista à CBS, o presidente Donald Trump expressou sua crença de que a guerra está “praticamente concluída” e destacou que os EUA estão “muito à frente” do prazo inicialmente estimado de 4 a 5 semanas. Além disso, a possibilidade de o governo americano avaliar uma redução nas sanções sobre o petróleo russo também contribui para a volatilidade dos preços do petróleo. Um alívio nas sanções poderia ajudar o mercado a compensar uma eventual redução na oferta devido à guerra.
Ao final da sessão anterior, o petróleo tipo Brent, referência internacional, teve uma queda de 0,71%, sendo cotado a US$ 92,03. O WTI, por sua vez, caiu 3,53%, fechando a US$ 87,69.
Expectativas econômicas e o Boletim Focus
Os economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão de inflação em 3,91% para 2026, com uma leve alta para 2027, passando de 3,79% para 3,80%. Essas informações foram divulgadas no Boletim Focus pelo Banco Central. O relatório é composto por projeções de mais de 100 instituições financeiras consultadas na semana passada.
Após a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, o mercado ainda acredita que os juros devem cair nos próximos anos. Para o final de 2026, a previsão para os juros subiu levemente, de 12% para 12,13% ao ano, enquanto para 2027, a estimativa se manteve em 10,50% ao ano. A expectativa de crescimento do PIB para 2026 permanece em 1,82%.
Movimentações nos mercados globais
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street conseguiram reverter o sinal negativo observado no início da sessão, à medida que investidores avaliavam as novas declarações de Trump e acompanhavam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O Dow Jones subiu 0,50%, o S&P 500 teve alta de 0,83% e o Nasdaq Composite avançou 1,38%.
Na Europa, os temores relacionados à inflação impactaram os principais índices acionários da região, após o petróleo ter alcançado o nível de US$ 100 no início do pregão. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,63%, enquanto o CAC-40, de Paris, recuou 0,98% e o DAX, de Frankfurt, perdeu 0,77%.
Na Ásia, as bolsas encerraram o dia em baixa devido ao aumento das tensões no Irã, embora parte das perdas tenha sido atenuada por investidores que aproveitaram os preços mais baixos para comprar ações. O Hang Seng, em Hong Kong, caiu 1,35%, enquanto o SSEC em Xangai perdeu 0,67%. O Nikkei no Japão teve uma queda de 5,2% e o KOSPI na Coreia do Sul recuou 5,96%.
O Dólar opera em alta, refletindo as complexidades do mercado global e as incertezas geopolíticas. As movimentações dos próximos dias serão cruciais para determinar a trajetória da moeda e dos índices financeiros.
Para mais informações sobre o mercado financeiro, acesse Em Foco Hoje. Para dados econômicos e análises, consulte o Banco Central.



