O doce carrapito é uma iguaria que carrega em sua essência a história e a tradição de uma família da Região Serrana do Espírito Santo. Produzido de forma artesanal, o doce tem conquistado paladares não apenas no Brasil, mas também além-fronteiras, tornando-se um símbolo da cultura local e da resistência de práticas que, aos poucos, vão se perdendo no tempo.
O Que É O Doce Carrapito?
O doce carrapito é uma receita centenária feita à base de cana-de-açúcar, mamão verde e gengibre. Sua produção remonta a mais de um século e é mantida pela família Bravim, que reside em Alfredo Chaves. O doce é caracterizado por seu sabor marcante e aroma único, resultado de um processo que envolve paciência e dedicação. A produção artesanal ocorre uma vez por semana, demandando um longo processo de preparo que começa com a colheita dos ingredientes.
Contexto Histórico e Cultural
Entender a importância do doce carrapito é mergulhar na história da agricultura familiar e das práticas tradicionais do Espírito Santo. Antigamente, era comum que cada casa tivesse alguém que produzia este doce, mas com o tempo, a prática foi se perdendo. A fala de Rosana Javarini Bravim, uma das responsáveis pela produção, revela a conexão emocional que muitos têm com o carrapito: “Nossa, eu comi o seu doce, eu lembrei do meu avô, lembrei do meu bisavô”. Essa afirmação ilustra como o doce é mais do que apenas um produto; é um elo entre gerações e memórias afetivas.
Produção Artesanal e Desafios
A produção do doce carrapito é um verdadeiro trabalho de amor. Adevaldo Valentin Bravim, responsável pela estrutura da produção, menciona que as adaptações feitas em 2018, a partir das exigências da Vigilância Sanitária, permitiram que o doce fosse produzido de forma estruturada, mas o processo permanece manual. Apenas três membros da família estão envolvidos na produção, que exige longas horas de trabalho. O caldo de cana, por exemplo, ferve por cerca de três horas antes de receber o mamão e, após isso, são mais quatro horas de mexer a mistura constantemente.
Demanda e Limitações
Atualmente, a família Bravim produz cerca de cinco tachos de doce carrapito por semana, totalizando aproximadamente 300 bandejas. Contudo, a demanda é muito maior do que a capacidade de produção. É interessante notar que a produção é única na região, o que torna o doce ainda mais especial e desejado. Rosana compartilha que já enviaram encomendas para lugares tão distantes quanto a Austrália e Santa Catarina, evidenciando a popularidade crescente do doce.
O Impacto da Tradição
A preservação do doce carrapito tem um grande significado para a família Bravim e para a comunidade local. Embora reconheçam as dificuldades enfrentadas, como a escassez de mão de obra e a intensidade do trabalho, a família mantém o compromisso de continuar essa tradição. Adevaldo expressa sua preocupação com o futuro: “Faz pena deixar essa tradição perder. A gente já está ficando velho e é difícil outra pessoa começar, porque é muito trabalhoso”. Isso levanta uma questão importante sobre a transmissão de conhecimentos tradicionais e a necessidade de incentivá-los entre as novas gerações.
Desdobramentos Futuros
O futuro do doce carrapito pode ser moldado por várias forças. A crescente demanda por produtos artesanais e locais pode abrir novas oportunidades para a família Bravim e outros produtores. Além disso, a conscientização sobre a importância da preservação cultural e das tradições alimentares pode incentivar novas iniciativas para ensinar e replicar a produção do doce. Rosana, por sua vez, não guarda segredos: “Gosto de ensinar para ver se desperta em alguém o desejo de fazer também”. Essa abertura pode ser a chave para a continuidade da tradição.
A valorização do doce carrapito não se resume apenas à sua produção, mas também à sua história e ao impacto que gera na comunidade. Essa iguaria é um exemplo claro de como a tradição e a inovação podem coexistir, criando oportunidades para o presente e o futuro. Para mais notícias acesse Em Foco Hoje e confira também outros conteúdos em Central Nerdverse.
