Recentemente, vídeos de uma mulher que canta enquanto dorme se tornaram virais nas redes sociais, trazendo à tona a discussão sobre o que acontece no cérebro durante o sono. O tema dos transtornos do sono, como o sonambulismo e o transtorno comportamental do sono REM, é de grande relevância para quem busca entender melhor a saúde e o bem-estar familiar. Esses comportamentos noturnos podem ser mais comuns do que se imagina e, em muitos casos, indicam a necessidade de uma avaliação médica.
O que é o sonambulismo?
O sonambulismo é classificado como uma parassônia, que se refere a comportamentos anormais que ocorrem durante o sono. Esse transtorno acontece durante o estágio mais profundo do sono, conhecido como N3. Durante esse período, uma parte do cérebro que controla a vigília pode se ativar, permitindo que a pessoa se mova e fale sem ter consciência do que está fazendo. Andrea Bacelar, neurologista e membro da Academia Brasileira do Sono, explica que, apesar de conseguir se mover e falar, o sonâmbulo não apresenta uma narrativa coerente em suas falas, que costumam ser desconexas.
Os episódios de sonambulismo são mais frequentes na adolescência e, geralmente, se resolvem na fase adulta. Embora raros, alguns adultos podem continuar a apresentar esse comportamento. Os gatilhos para o sonambulismo podem incluir estresse, privação de sono e consumo de álcool, mas não necessariamente levam a episódios recorrentes.
O que é o transtorno comportamental do sono REM?
O sono REM é a fase do sono em que ocorrem os sonhos. Normalmente, o cérebro envia sinais que paralisam a musculatura do corpo, impedindo que a pessoa atue fisicamente em seus sonhos. No entanto, em casos de transtorno comportamental do sono REM, esse mecanismo falha, e a pessoa começa a agir conforme o que está sonhando. Ao contrário do sonambulismo, aqueles que sofrem deste transtorno costumam acordar com memória do que estavam sonhando, podendo descrever com detalhes a cena e as ações que realizavam.
Almir Tavares, médico especialista em sono e presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono, alerta que esse transtorno é mais raro e pode ser mais grave, exigindo acompanhamento médico. Os movimentos são geralmente mais intensos e abruptos, e os episódios tendem a ser curtos.
Diferenças entre sonambulismo e transtorno REM
Embora tanto o sonambulismo quanto o transtorno do sono REM envolvam comportamentos durante o sono, eles têm origens e mecanismos diferentes. No sonambulismo, a pessoa não tem consciência do que faz e não lembra dos eventos pela manhã. Já no transtorno REM, a pessoa pode acordar e relatar o que estava sonhando, o que indica uma maior conexão entre o conteúdo do sonho e as ações realizadas.
Por que é importante buscar ajuda?
Ambos os transtornos podem ter um impacto significativo na qualidade do sono e na saúde geral da pessoa. Movimentar-se durante o sono sem consciência pode representar riscos à segurança, não apenas para o indivíduo, mas também para quem está ao seu redor. Além disso, esses transtornos podem levar a problemas como fadiga crônica, dificuldade de concentração e até mesmo afetar a saúde mental.
- Sonambulismo: ações sem consciência durante o sono profundo.
- Transtorno REM: ações conscientes relacionadas aos sonhos.
- Ambos requerem avaliação médica para diagnóstico e tratamento.
O que fazer se você ou alguém próximo apresentar esses comportamentos?
Se você estiver ao lado de alguém que apresenta comportamentos de sonambulismo ou transtorno REM, a recomendação é não tentar acordar a pessoa. Há um mito de que isso pode causar a morte, mas a realidade é que interromper o episódio abruptamente pode prolongar a confusão mental. O ideal é guiar a pessoa de volta à cama com cuidado. É fundamental prestar atenção em casos em que a pessoa sai de casa, pois isso pode representar um risco sério.
Impacto e desdobramentos
O aumento da conscientização sobre os transtornos do sono é crucial, pois pode levar a um maior entendimento e aceitação desses comportamentos. Com o avanço da tecnologia e o compartilhamento de informações nas redes sociais, é possível que mais pessoas reconheçam esses sinais em si mesmas ou em familiares, buscando ajuda profissional. A busca por diagnósticos precisos e tratamentos adequados pode melhorar não apenas a qualidade do sono, mas também a saúde e o bem-estar geral.
Portanto, a discussão sobre o transtorno do sono é essencial para todos que desejam cuidar de sua saúde e a de seus entes queridos. Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.



