Ex-astro da NFL revela diagnóstico de ELA aos 39 anos
Chris Johnson, famoso running back que jogou por uma década na NFL, anunciou nesta segunda-feira (29) que está enfrentando a esclerose lateral amiotrófica (ELA) desde 2025. Ele recebeu o diagnóstico da doença neurológica degenerativa aos 39 anos e, desde então, sua saúde se tornou bastante debilitada.
— No início, percebi uma fraqueza na minha mão direita. Começou com pequenas coisas, como meu aperto não estar normal e eu não ser tão forte quanto costumava ser — contou o ex-atleta ao programa norte-americano “Good Morning America”. Com uma carreira marcante no Tennessee Titans, Johnson revelou que os primeiros sintomas surgiram quando estava no auge da vida, treinando diariamente e passando tempo com a esposa e os quatro filhos. Contudo, a família foi pega de surpresa pelo diagnóstico e pela rápida progressão da doença, que afeta as habilidades motoras e funções vitais do corpo, como a respiração.
— Sinceramente, não sei se você consegue processar isso completamente. No começo, é um choque. Então você percebe que tem duas opções: desistir ou lutar. Eu escolhi lutar — afirmou.
A esposa de Johnson mencionou que, a princípio, pensou que os sinais estavam ligados à sua carreira no futebol americano. No entanto, pesquisadores não conseguiram estabelecer uma conexão entre a ELA e fatores como lesões ou atividades físicas, conforme os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA. Atualmente, Johnson não consegue mais falar e utiliza um dispositivo eletrônico para se comunicar. Ele gravou sua voz logo após o diagnóstico, permitindo que o equipamento reproduzisse sua expressão vocal de forma fiel. O ex-atleta também teve seus movimentos severamente comprometidos, permanecendo sentado e quase imóvel durante toda a entrevista.
— [A doença] progrediu muito mais rápido do que eu jamais imaginei. Quero que as pessoas compreendam quão rapidamente a ELA pode afetar o corpo. Um pouco mais de um ano atrás, eu estava buscando minha filha de 7 anos para fazer um pedido com o bolo de aniversário. Hoje, não consigo mais fazer isso.
— Eu não consigo nem segurar um copo se tentar, e isso mesmo tendo sido diagnosticado relativamente cedo e fazendo tudo o que é possível, incluindo a participação em múltiplos tratamentos experimentais. Por isso, a detecção precoce, mais pesquisas e melhores tratamentos são tão essenciais. Precisamos oferecer às pessoas uma chance melhor do que as opções disponíveis atualmente — desabafou Johnson.
A ELA é uma doença progressiva e ainda sem cura, que provoca a morte gradual dos neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo e causa a perda do controle muscular. O diagnóstico é complicado, pois não existe exame laboratorial que identifique qualquer substância no sangue ou marcador preciso para detectá-la. Além disso, a causa da doença permanece desconhecida. Estima-se que apenas 10% dos casos de esclerose lateral amiotrófica tenham causas genéticas. Com raridade em jovens, a ELA é mais comum em indivíduos entre 50 e 70 anos. Os tratamentos disponíveis visam retardar a evolução da doença e, em média, os pacientes têm uma sobrevida de três anos e meio após o surgimento dos primeiros sintomas.
— Não há histórico de ELA na minha família. Os médicos acreditam que meu caso é o que chamam de ELA esporádica, que é como a maioria dos casos ocorre. Essa é uma das razões pelas quais essa doença pode ser tão surpreendente. Pode afetar alguém que nunca esperou por isso.
Johnson jogou por dez anos na NFL e acumulou números impressionantes até se aposentar em 2017. Ele foi escolhido pelos Titans na primeira rodada do Draft de 2008 e, ao todo, registrou quase 12 mil jardas combinadas (corridas e recepções). Ele detém o recorde de mais jardas terrestres em uma única temporada, com 2.509 em 2009, quando foi eleito o melhor jogador ofensivo da liga.
O ex-running back afirmou que decidiu compartilhar sua história para aumentar a conscientização sobre a ELA. Ele enfatizou que continua sendo a mesma pessoa, apesar das limitações, e expressou gratidão pelo apoio da família durante todo o tratamento para retardar a doença.
— Minha esposa não me deixou por conta de nada disso. Meus filhos também são uma grande parte do motivo pelo qual eu persisto. Todos os dias, acordo desejando mais tempo com eles para criar mais memórias e simplesmente ser o pai deles. Eles me dão um motivo para continuar lutando. — Quero que as pessoas entendam que ainda sou eu. A ELA alterou o que meu corpo pode fazer, mas não mudou quem eu sou. As pessoas às vezes olham para a deficiência física e presumem que você não é mais a mesma pessoa por dentro. Eu ainda penso da mesma forma, ainda sonho, ainda amo minha família. Meu corpo apenas não coopera.
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