Canibalismo e saúde: cientistas alertam sobre riscos à população

Cientistas afirmam que o canibalismo pode provocar doenças e colapsar populações. Entenda os riscos associados a essa prática.

Canibalismo faz mal à saúde, dizem cientistas

Gravura de Theodor de Bry retrata indígenas tupinambás em um ritual antropofágico observado pelo alemão Hans Staden, que foi mantido como prisioneiro no Brasil. O canibalismo se tornou um tabu nas sociedades humanas não apenas por aversão instintiva, mas também porque é prejudicial às populações que o praticam, conforme revelaram cientistas da Polônia e da República Tcheca. Michal Misiak, da Universidade de Wroclaw, e Petr Turecek, da Universidade Charles, em Praga, usaram um modelo matemático para comprovar que a prática do canibalismo pode, a longo prazo, levar ao colapso populacional, provocando doenças em quem consome carne humana.

“Analisamos o corpo humano como uma possível fonte de alimento, considerando tanto os benefícios energéticos quanto os riscos ocultos”, declarou Misiak em um comunicado divulgado na quarta-feira pela Universidade de Wrocław. “Do ponto de vista calórico, uma pessoa corresponde a uma refeição média… O principal problema, entretanto, reside em outro aspecto: o risco de infecção. Os patógenos encontram um ambiente mais favorável, pois entram em um organismo com fisiologia quase idêntica.” O modelo desenvolvido pelos pesquisadores indica que o risco de doenças cresce exponencialmente quando canibais consomem outros canibais, já que nem mesmo o cozimento é capaz de eliminar os príons — proteínas mal dobradas — que podem ocasionar doenças neurológicas fatais.

Uma dessas doenças, o kuru, era comum entre o povo Fore, da Papua-Nova Guiné, que cozinhava e consumia seus parentes falecidos, acreditando que estavam libertando o espírito da pessoa morta. Os pesquisadores afirmaram que esses riscos provavelmente contribuíram para o surgimento de um dos tabus mais fortes da humanidade, que se baseava, em parte, em sua função protetora. “O tabu atua como uma salvaguarda evolutiva”, comentou Misiak. “Nossos achados sugerem que essa foi uma resposta biologicamente justificada ao risco crescente de epidemias. As comunidades que não restringiram o canibalismo simplesmente não sobreviveram.”

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Em Foco Hoje Redação
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