Obras encontradas no lixo viram museu em Porto Alegre
Jean-Baptiste Debret, Maria Di Gesú e Walmor Corrêa são artistas renomados que frequentemente figuram em exposições em importantes espaços culturais do Brasil. Contudo, obras como essas e outras raridades foram resgatadas do lixo de Porto Alegre por Jacson Carboneiro ao longo de 15 anos de sua atividade como reciclador. A coleta realizada com um olhar atento resultou no Museu de Resgates, que está localizado em sua casa, na comunidade Santa Terezinha, também conhecida como Vila dos Papeleiros, na Zona Norte.
A coleção teve início com uma revista da Xuxa que Jacson encontrou. “Tudo que eu achava de diferente ou um pouco antigo eu guardava para manter a história e mostrar para meus filhos, apresentando como eram os tempos passados”, conta. A arte, que estava armazenada em sua residência, foi retirada das caixas há sete anos. Em 2019, Jacson conheceu Cristiano Sant’anna, um fotógrafo e artista que o motivou a expor as obras.
O museu está inserido na comunidade, na casa do reciclador, e tem como objetivo valorizar o trabalho dos papeleiros da região, além de honrar o legado de seu pai, que foi líder comunitário e presidente da Associação de Reciclagem Ecológica da Vila dos Papeleiros (Arevipa). “O resgate não se limita a objetos, mas envolve refletir sobre nossas práticas de consumo e descarte na cidade. Temos aqui itens que fazem você pensar: como vivemos com as pessoas responsáveis pelo manejo dos resíduos sólidos e até hoje não existe uma política pública que realmente as inclua?”, questiona Cristiano.
Entre as peças do acervo está a “Viagem Pitoresca e Histórica pelo Brasil”, de Jean-Baptiste Debret, um pintor e ilustrador francês, além de uma gravura exclusiva da artista italiana Maria Di Gesú, que residiu em Porto Alegre. Também compõe a coleção um quadro de 1995 de Walmor Corrêa, um artista catarinense que viveu na cidade, e cuja autenticidade foi validada pelo próprio autor.
Atualmente, o espaço conta com mais de 500 itens catalogados, incluindo quadros, câmeras, máquinas, bijuterias e outros objetos. Na residência, Jacson mora com seus dois filhos, que demonstram interesse pelo museu e colaboram na manutenção do local. “É da comunidade. O museu praticamente narra toda a história que fez deste lugar um ponto especial para todos. Desejo continuar essa história, pois para mim nada tem fim. Espero que o museu cresça e que eu possa ajudar a ampliar seu espaço, pois quero surpreender cada vez mais quem nos visita”, afirma Wallace Carboneiro, filho de nove anos de Jacson.
A visitação é realizada mediante agendamento, que pode ser feito através das redes sociais do Museu de Resgates. A entrada é gratuita. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…



