Cabelos coloridos e cortes alternativos impulsionam salão que fatura R$ 70 mil por mês
Empreendedoras transformaram a paixão por cortes e colorações fora do padrão em um negócio voltado à diversidade e ao público LGBT. Estratégia nas redes sociais ajudou a atrair clientes de várias regiões.
Casal cria salão LGBTQIA+ e viraliza com cabelos ‘diferentões’
Algumas pessoas vão ao salão apenas para cortar as pontas, enquanto outras buscam uma transformação completa, usando o cabelo como uma forma de expressão. Foi com essa visão que as empresárias Isabela Stein e Aline Espírito Santo fundaram um salão especializado em cortes e colorações alternativas em São Paulo. O empreendimento surgiu da combinação de experiências distintas: Isabela cresceu em uma família de cabeleireiros, enquanto Aline atuava no setor de marketing de um banco antes de se aventurar no mundo da beleza.
Juntas, elas decidiram criar um espaço com uma identidade única, que é despojado e acolhedor, focado principalmente no público LGBT, mas também “hetero friendly”, como elas próprias definem. Para concretizar o projeto, as duas investiram todas as suas economias, totalizando R$ 138 mil. Esse valor foi destinado à reforma do local e à montagem da estrutura inicial, que conta com quatro cadeiras e dois lavatórios.
Salão aposta em cabelos alternativos e fatura R$ 70 mil por mês em SP
A reforma acabou se tornando uma ferramenta de divulgação inesperada. Elas começaram a compartilhar vídeos do processo nas redes sociais, e o conteúdo rapidamente viralizou. Desde então, a internet se tornou o principal motor de crescimento do salão. As empresárias afirmam que praticamente todos os clientes chegam através das redes sociais. A estratégia abrange tanto publicações pagas quanto vídeos orgânicos que mostram transformações, tendências e ideias de cortes e colorações.
Uma das ações mais eficazes foi a publicação de desenhos e referências de cabelos que elas gostariam de realizar. Essa proposta funcionou como um “cardápio criativo”, permitindo que a cliente conhecesse o visual e o preço do serviço antes mesmo do atendimento. Essa ideia atraiu novos clientes e acabou sendo replicada por outros salões.
No espaço, a diversidade é levada a sério
Os clientes ressaltam o acolhimento e a liberdade para experimentar estilos diferentes sem medo de julgamentos. “Aqui eu não me sinto tão alienígena”, compartilha uma cliente durante as gravações. Além das referências da internet, filmes, séries, videogames e até tendências internacionais servem de inspiração para os cortes e colorações realizados no salão. Antes de lançar novidades, as cabeleireiras costumam testar as ideias em bonecas usadas para treino, que depois se tornam uma espécie de vitrine para os clientes.
Entre as tendências mais populares estão mechas inspiradas em “rabo de guaxinim”, cabelos com blocos coloridos e cortes como o mullet modernizado. Atualmente, o salão atende uma média de nove a dez cortes por dia, enquanto as colorações, embora mais lucrativas, exigem mais tempo. O negócio já alcança um faturamento mensal de cerca de R$ 70 mil, mas as empreendedoras afirmam que ainda estão aprendendo a lidar com os desafios da gestão. “A gente quer se tornar boas empreendedoras para o lugar continuar prosperando”, declara Aline.
Mais do que um simples salão de beleza, Isabela e Aline afirmam ter criado um espaço onde as pessoas possam se sentir seguras e acolhidas. “A história que eu quero escrever é mostrar que pessoas LGBT estão seguras aqui”, resume uma das sócias. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…



