Atrito entre CMO e CFO está na mensuração dos resultados, não na estratégia

A relação entre CMOs e CFOs é marcada por desafios na mensuração de resultados, mais do que por conflitos de estratégia. Entenda como alinhar essas áreas.

A relação entre CMO e CFO

A interação entre os diretores de marketing (CMOs) e os diretores financeiros (CFOs) é frequentemente vista como um embate entre criatividade e controle de custos. No entanto, uma pesquisa global da Bain & Company, realizada em colaboração com o Google, revela que a verdadeira questão não reside em uma divergência de visão sobre o negócio, mas sim na dificuldade de apresentar, com dados confiáveis, o impacto financeiro das iniciativas de marketing.

O estudo, que se baseia nas percepções de quase 1.400 executivos seniores das áreas de Marketing e Finanças, indica que empresas onde CMO e CFO cultivam uma relação robusta têm 1,5 vezes mais chances de liderar o crescimento de receita e a participação de mercado em seus segmentos. A pesquisa conclui que Marketing e Finanças possuem metas semelhantes, mas perdem sinergia quando chega o momento de mensurar os resultados das ações realizadas.

Outro ponto abordado pela pesquisa é a desconstrução de uma ideia comum nas empresas: a crença de que o CFO prioriza apenas indicadores de curto prazo, enquanto o CMO se concentra unicamente em investimentos de longo prazo. Os dados mostram que ambos os grupos concordam sobre quais métricas são pertinentes e sobre o tempo necessário para avaliar diferentes tipos de investimento. Para ambos, demonstrar um impacto direto na receita é o principal fator para fortalecer o Marketing como um centro estratégico de geração de lucro. Em seguida, aparecem a qualidade da mensuração e da atribuição dos resultados, além da eficiência dos gastos em mídia e marketing.

Desafios na confiança dos dados

Se Marketing e Finanças estão alinhados em seus objetivos, por que tantas organizações enfrentam conflitos entre essas áreas? A resposta reside na confiança nos dados que justificam os investimentos. De acordo com a Bain, empresas que se destacam em crescimento são 2,5 vezes mais propensas a contar com sistemas de mensuração que são considerados confiáveis tanto pelo Marketing quanto pela área Financeira. Nessas empresas, quase 48% dos entrevistados afirmam que a qualidade das ferramentas de medição é alta ou muito alta. Em contrapartida, nas empresas com menor desempenho, esse número cai para apenas 18%.

Outro aspecto que diferencia as empresas líderes é a governança. Nessas organizações, Marketing e Finanças definem em conjunto, antes da execução das campanhas, quais indicadores serão utilizados para avaliar o sucesso das iniciativas. Essa prática diminui as discussões posteriores sobre critérios de avaliação e estabelece uma base comum para decisões de investimento. Contudo, ainda há espaço para melhorias. Apenas 41% dos profissionais de Marketing afirmam ter dados, ferramentas e capacidade de mensuração suficientes para conectar suas ações aos resultados reais do negócio.

Investimentos em construção de marca

A pesquisa também evidencia que outro fator que distingue empresas de alto desempenho das demais é a maneira como lidam com investimentos em branding. Organizações que se destacam são duas vezes mais propensas a adotar expectativas de retorno que se alinham com o ciclo de desenvolvimento de marcas. Entre essas empresas, 26% esperam que os investimentos em branding gerem resultados ao longo de vários anos, enquanto nas empresas de baixo desempenho, esse percentual é de apenas 12%. Isso indica que o desafio não está em convencer o CFO sobre a importância da marca, mas em desenvolver uma metodologia que demonstre como esse investimento contribui para o crescimento do negócio ao longo do tempo.

Exemplo da Sephora

A pesquisa se apoia em exemplos práticos. Durante o Cannes Lions, Zena Arnold, CMO global da Sephora, compartilhou que a empresa conseguiu preservar seu orçamento de Marketing mesmo em um período de cortes de custos. Ela explicou que isso foi viável porque a área financeira participou da elaboração dos modelos de mensuração que a empresa utiliza. Em vez de receber relatórios prontos, o CFO colaborou na definição de como o impacto das campanhas seria avaliado, o que gerou confiança nos indicadores que sustentavam as decisões de investimento. Quando a necessidade de revisar despesas surgiu, o Marketing já era visto como um motor de crescimento, não apenas como um centro de custos.

Essa transformação no relacionamento também ajuda a entender a mudança no perfil da liderança de Marketing. A evolução do cargo implica na ampliação das responsabilidades do executivo. O CMO passou a deixar de lado a atuação focada apenas em comunicação e construção de marca para assumir um papel mais estratégico na geração de crescimento, incorporando competências relacionadas à inteligência artificial, análise de dados, tecnologia e gestão financeira. Em vez de se limitar à aprovação do orçamento, o executivo financeiro agora contribui para decisões estratégicas sobre investimentos, crescimento e criação de valor, unindo criatividade e disciplina financeira em torno de objetivos comuns.

A pesquisa da Bain e do Google aponta que o diferencial competitivo não está apenas na qualidade das campanhas ou no volume de investimento em Marketing. As empresas que conseguem transformar Marketing e Finanças em parceiros estratégicos estabelecem uma linguagem comum fundamentada em dados confiáveis, critérios compartilhados e foco em um crescimento sustentável. É essa habilidade de construir confiança, mais do que a simples defesa de orçamentos, que distingue as organizações com melhor desempenho. Para mais notícias acesse… Confira também outros conteúdos em…

Compartilhe
Em Foco Hoje Redação
Em Foco Hoje Redação

Em Foco Hoje é um perfil editorial responsável pela produção e organização de conteúdos informativos sobre atualidades, tecnologia, economia, saúde e temas de interesse geral, sempre com foco em clareza, utilidade e atualização constante.