Parto normal ou cesárea? Estudo revela fatores que influenciam a decisão das gestantes

Sete em cada dez brasileiras preferem o parto normal, mas a cesárea ainda é a forma mais comum de nascimento no Brasil. Estudo do UNICEF revela os fatores que influenciam essa escolha.

Parto normal ou cesárea? Estudo revela que a decisão vai muito além da vontade da gestante

Sete em cada dez brasileiras optam pelo parto normal no início da gravidez, conforme dados da Fiocruz. Entretanto, a cesariana continua a ser a forma de nascimento mais prevalente no país. O que leva a essa discrepância? Já conhece nossas comunidades para mães no WhatsApp? Confira aqui!

Uma pesquisa busca entender por que muitas mães desejam o parto normal, mas acabam escolhendo a cesárea. Jonathan Borba/Unsplash Após passar 333 dias no hospital à espera de um coração, bebê vence batalha pela vida e inspira outras famílias. Um estudo do UNICEF tenta responder a essa questão, e suas conclusões desafiam uma ideia amplamente aceita: não se trata de mulheres que simplesmente ‘mudam de ideia’.

Intitulada ‘Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes’, a pesquisa indica que a escolha não é apenas influenciada por fatores psicológicos e individuais, mas também por aspectos sociais e estruturais que estão além do controle da gestante. ‘Nosso desafio não é ‘convencer’ as mulheres, mas assegurar que elas tenham condições de fazer escolhas informadas e vivenciar um parto seguro e respeitoso’, afirma Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil. ‘Disponibilizar informações confiáveis, atendimento de saúde qualificado, acesso aos direitos e uma rede de apoio adequada é fundamental para que isso ocorra. Ao promover um parto respeitoso, estamos protegendo não apenas os direitos das mulheres, mas também os direitos de cada criança a um início de vida mais seguro e saudável’, ressalta Luciana.

O que está no caminho do parto normal

A pesquisa ouviu 131 pessoas — entre gestantes, puérperas e profissionais de saúde — em Belém (PA) e São Paulo (SP), nas redes pública e privada. Foram identificadas barreiras em diferentes níveis. A primeira delas é o ambiente ao redor. As experiências pessoais de mães, avós, tias e sogras exercem uma grande influência sobre as preferências das gestantes, especialmente entre usuárias do SUS. Além disso, a participação do parceiro é crucial: quando ele se envolve pouco no pré-natal, tende a entender menos o processo do parto e, em momentos de trabalho de parto, pode pressionar pela cesárea.

As barreiras estruturais também são significativas. A falta de acesso à analgesia, por exemplo, pode levar algumas mulheres a ver a cesariana como a única solução para enfrentar a dor. O desejo de realizar a laqueadura também influencia essa escolha, devido à escassez de métodos contraceptivos que possam ser utilizados em conjunto com o parto normal. Outro fator que raramente é discutido abertamente é que, especialmente na rede privada, profissionais mencionaram que a organização do trabalho médico, a previsibilidade das cesarianas agendadas e os custos de manter uma equipe durante longos trabalhos de parto funcionam, na prática, como incentivos à cesárea, mesmo quando não há indicação clínica.

O que ajuda a virar esse jogo

A pesquisa também identificou o que pode ajudar a mudar essa situação. Centros de Parto Normal, maior envolvimento de doulas, obstetrizes e enfermeiras obstetras, programas de incentivo ao pré-natal e a utilização do Plano de Parto mostraram um potencial real para fortalecer escolhas informadas e aumentar a autonomia das mulheres. Ampliar o acesso à analgesia e a métodos não medicamentosos de alívio da dor na rede pública pode também reduzir a preferência pela cesárea sem indicação. Outro ponto relevante é que a participação ativa do parceiro antes e durante o parto reforça a decisão da mulher. O compartilhamento de experiências dentro da rede de apoio — mães, avós, amigas, referências comunitárias — contribui para construir uma visão positiva e, principalmente, realista sobre o parto normal.

Com base nos resultados, o UNICEF recomenda que o poder público, a rede privada e os profissionais de saúde colaborem para qualificar o pré-natal, incluir acompanhantes nas orientações, expandir políticas públicas de apoio às mães e revisar modelos de remuneração que favorecem a cesárea sem indicação médica.

Uma campanha sobre o peso das opiniões alheias. Juntamente com o estudo, o UNICEF lançou a campanha ‘Parto normal. Uma escolha que merece respeito’, que convida gestantes, famílias, redes de apoio e profissionais de saúde a refletirem sobre como as opiniões ao redor podem pressionar as mulheres, sem nunca substituir informações de qualidade. O conteúdo está disponível em parto.unicef.org.br.

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Em Foco Hoje Redação
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