Harry Styles inicia turnê no Brasil com show de artista no ápice do controle de pontos fortes e fracos
No primeiro de quatro shows programados em São Paulo, Harry Styles apresentou nesta sexta-feira (17) uma performance madura, dançante e cheia de groove. O cantor demonstrou estar no auge de sua carreira, controlando com maestria tanto seus pontos fortes quanto suas fraquezas.
Seu quarto álbum de estúdio, “Kiss all the time. Disco, occasionally”, pode não ser o mais aclamado de sua trajetória, mas, como ficou claro no Morumbi, ele sabe extrair o melhor de suas canções, que dominaram o setlist da noite. Inspirado por um período de “low profile” na Europa, onde participou de festas e shows como um espectador, o disco traz uma sonoridade processada, repleta de efeitos e camadas, raramente destacando a voz como protagonista.
Com versões mais groovadas, cruas e, principalmente, poderosas – apoiadas pela excelente banda que o acompanha – de faixas como “Are you listening yet?” e “Season 2 weight loss”, Harry optou por minimizar as distorções e dar mais espaço à sua voz. Esse contato direto fez com que a plateia, que cantou e gritou durante quase duas horas, se conectasse ainda mais com o artista. A exceção ficou por conta de “Fine Line”, do álbum homônimo. A balada, mais lenta e com uma interpretação quase idêntica à versão de estúdio, poderia ter gerado um momento de baixa energia, mas, ao contrário, o estádio ficou em um silêncio quase reverente, com os fãs formando um coro sussurrado. Uma cena linda.
Após uma animada versão de “American girls”, que ganhou muito com a participação do público e a inserção de um “brazillian” em um dos versos do refrão, Harry teve dificuldade em entender o nome de uma aniversariante na plateia. Ele então puxou um “parabéns a você” para “Vanessa? Lanessa? Lanissa? Lalessa” e divertiu a audiência, que tentava avisá-lo que provavelmente se tratava de uma “Larissa”. Certamente, a jovem não se incomodará com esse novo apelido.
O cantor de 32 anos também acertou ao optar por realizar mais shows em menos locais na turnê “Together, together”, o que possibilita uma estrutura mais elaborada. As passarelas que se estendem pelo palco, cobrindo quase toda a área da pista, garantem que todos possam ver Harry de perto em algum momento, e ele soube aproveitar essa ideia de forma brilhante. Com a banda posicionada no centro, o britânico transformou o Morumbi em uma verdadeira discoteca durante a sequência de “Ready, steady, go!” e “Dance no more”. Esta última contou com a única coreografia mais elaborada do cantor e suas dançarinas.
Sem deixar a energia cair, ele emendou “Treat people with kindness”, um dos pontos altos da apresentação. Após uma breve pausa para o bis, ele emocionou grande parte do público com uma versão tocante de “Matilda”, acompanhada por um grupo de cordas, em um momento dedicado a canções que não fazem parte do setlist habitual. É quase injusto que essa canção tenha sido seguida por “Sign of the times”, o maior sucesso de seu álbum de estreia, que é uma das faixas mais lembradas de sua carreira solo. Com direito a fogos de artifício no final, foi um dos momentos mais inesquecíveis da noite.
Para encerrar e garantir um retorno para casa cheio de energia, após duas canções mais emocionais, “As it was” colocou todos para dançar novamente. Um final certeiro para uma noite repleta de poucos defeitos.
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