Disputa Vance x Rubio na corrida presidencial de 2028
No início de junho, ao ser questionado sobre quem poderia ser seu sucessor na Casa Branca, Donald Trump não apontou um favorito. Em vez disso, o presidente dos Estados Unidos mencionou que uma chapa composta pelo vice-presidente J.D. Vance e pelo secretário de Estado Marco Rubio seria “imbatível”.
A declaração teve a intenção de transmitir uma imagem de unidade no governo. Entretanto, nos bastidores, Vance e Rubio são considerados os principais candidatos para a indicação do Partido Republicano nas eleições presidenciais de 2028. Vance é visto como o herdeiro natural do movimento “Make America Great Again” (MAGA), representando uma nova geração do trumpismo. Por outro lado, Rubio se destacou por suas vitórias na política externa americana.
As pesquisas têm indicado uma disputa acirrada entre os dois. Um levantamento realizado em maio pelo Emerson College mostrou que Vance e Rubio estavam tecnicamente empatados em uma possível primária para as eleições de 2028. Os dados revelaram que Vance possui 36% das intenções de voto, enquanto Rubio aparece com 35%. Agregadores de pesquisas mostram uma ligeira vantagem para o vice-presidente nas primárias, mas essa diferença diminuiu recentemente. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos realizada em junho revelou que Vance tem uma aprovação levemente superior à de Rubio: 36% contra 32%. Ao mesmo tempo, o vice-presidente também apresenta uma taxa de rejeição mais alta: 53% contra 45% do secretário de Estado.
J.D. Vance, criado em uma área industrial em declínio no estado de Ohio, serviu como fuzileiro naval, formou-se em Direito na Universidade Yale e ganhou notoriedade nacional com o livro “Era uma vez um sonho”, que narra sua infância em uma família marcada pela pobreza e pela dependência química. Após alcançar fama, Vance fez críticas a Trump. Contudo, os dois se aproximaram, e Vance se tornou um dos principais defensores da agenda MAGA. Quando foi escolhido para fazer parte da chapa presidencial do Partido Republicano em 2024, analistas e a mídia americana o consideraram o principal sucessor político de Trump. Entretanto, nos últimos meses, ele tem enfrentado desafios dentro do governo. Missões diplomáticas lideradas pelo vice-presidente não resultaram em avanços concretos. As negociações com o Irã não progrediram, e o cessar-fogo entre os dois países durou apenas algumas semanas. Em abril, Vance viajou para a Hungria para se encontrar com o então primeiro-ministro Viktor Orbán, buscando fortalecer o aliado de Trump antes das eleições. Orbán, no entanto, foi derrotado e deixou o cargo após 16 anos. No mesmo mês, Vance também teve que defender Trump durante uma polêmica envolvendo o papa Leão XIV, o que foi notável, já que o vice-presidente é católico.
Enquanto Vance enfrenta dificuldades, Rubio tem ganhado espaço no governo Trump. Filho de imigrantes cubanos, ele construiu sua carreira política na Flórida e disputou a indicação republicana à presidência em 2016, sendo um dos principais adversários de Trump nas prévias, com ataques públicos entre os dois. A relação, no entanto, mudou nos anos seguintes. Hoje, Rubio é um dos aliados mais próximos de Trump e se tornou o chefe da política externa americana. O secretário de Estado é visto como alguém que tem influência nas decisões do presidente, sendo um dos principais nomes da ala ideológica da Casa Branca. Além de representar o governo em entrevistas e coletivas, Rubio passou a assumir algumas das negociações internacionais mais importantes da administração Trump. Ele esteve envolvido nas articulações sobre a Venezuela, que resultaram na prisão do ex-ditador Nicolás Maduro em janeiro de 2026. O secretário também participou das negociações entre Estados Unidos e Brasil após a crise provocada pelo tarifaço, mantendo uma relação próxima com a família Bolsonaro. Rubio lidera ainda as negociações relacionadas ao governo de Cuba. Em diversas ocasiões, Trump escalou Rubio para explicar decisões delicadas da política externa, aumentando a exposição do secretário diante do público americano.
O avanço de Rubio também se reflete entre aliados e financiadores do Partido Republicano. De acordo com a Axios, o bilionário Ken Griffin, um dos maiores doadores republicanos nas últimas eleições, declarou em um evento privado que apoiaria Rubio, e não Vance, em uma possível disputa pela indicação presidencial de 2028. Esse movimento de Griffin reflete uma divisão dentro do Partido Republicano: parte dos republicanos vê Rubio como um nome mais experiente e pragmático, enquanto a ala ligada ao movimento MAGA apoia Vance por sua defesa de uma política externa menos intervencionista. As diferenças entre os dois ficaram evidentes durante os debates sobre a política americana em relação ao Irã. Enquanto Rubio defendeu as ações do governo, Vance, que criticou durante anos o envolvimento militar dos Estados Unidos em conflitos externos, teve que conciliar esse histórico com o apoio às decisões de Trump. Essa disputa levou a Casa Branca a tentar em abril reduzir a tensão entre os dois. “O presidente Trump confia plenamente tanto no vice-presidente Vance quanto no secretário Rubio, que continuam sendo vozes confiáveis dentro do governo”, afirmou a porta-voz Anna Kelly. “Ele valoriza as opiniões e a vasta experiência de ambos.”
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