GM, dona da Chevrolet, eleva previsão de lucro após alta nas vendas de picapes e SUVs nos EUA
A General Motors (GM), proprietária das marcas Chevrolet e Cadillac no Brasil, anunciou nesta terça-feira (21) um aumento em sua previsão de lucro para 2026, sendo essa a segunda vez que isso ocorre neste ano. As informações são da agência Reuters. A GM ajustou sua expectativa de lucro para 2026 em US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões), passando a estimar um intervalo entre US$ 14 bilhões (R$ 71,12 bilhões) e US$ 16 bilhões (R$ 81,28 bilhões). A montadora destaca, entre outros fatores, a manutenção de preços elevados nos Estados Unidos para picapes e SUVs de maior valor, que são os veículos mais lucrativos da empresa.
O lucro operacional da GM no segundo trimestre teve um crescimento de 30% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os resultados da montadora de Detroit, EUA, superaram as previsões de lucro dos analistas, mesmo em um cenário econômico desafiador, onde os consumidores enfrentaram preços altos de combustíveis, inflação persistente e uma desaceleração na geração de empregos durante o trimestre. O robusto lucro no mercado norte-americano, o maior da companhia, foi impulsionado pelos preços elevados. O preço médio de venda de um veículo da GM nos EUA foi de aproximadamente US$ 52 mil (R$ 264.160, em conversão direta) no trimestre, ligeiramente superior ao registrado um ano atrás.
“Conseguimos superar parte dessa incerteza”, declarou o diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, à CNBC nesta manhã, acrescentando que os clientes da empresa “têm demonstrado muita resiliência”. As ações da GM apresentavam uma alta de cerca de 4% nas negociações da manhã desta terça-feira. Executivos da GM mostraram otimismo quanto à continuidade desse ritmo em 2027, prevendo crescimento na receita, no lucro operacional e na geração de caixa. Um dos pilares desse crescimento é o setor de equipamentos de defesa, que deve gerar quase US$ 700 milhões (R$ 3,56 bilhões) em receita neste ano, com uma média de crescimento de 30% nos próximos anos.
No relatório enviado aos investidores nesta terça-feira, o analista Chris McNally, da Evercore ISI, destacou que a GM tem demonstrado uma execução consistente, mesmo enquanto algumas concorrentes globais enfrentam dificuldades.
O lucro antes de juros e impostos (Ebit) da companhia no trimestre subiu para US$ 3,9 bilhões (R$ 19,81 bilhões), em comparação aos cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,24 bilhões) do ano anterior. Em base ajustada, o lucro foi de US$ 3,57 por ação (R$ 18,14 por ação), superando a expectativa dos analistas, que era de US$ 3,20 por ação (R$ 16,26 por ação), conforme dados da LSEG. A GM já havia aumentado sua previsão de lucro para 2026 anteriormente, também em US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões). A demanda aquecida dos consumidores americanos ajudou a empresa a mitigar as pressões causadas pelo aumento dos custos de matérias-primas e das despesas relacionadas ao comércio exterior, incluindo os gastos adicionais com a transferência de parte da produção de veículos para os Estados Unidos, a fim de evitar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
A GM iniciará a produção do Chevrolet Equinox e do Chevrolet Blazer nos Estados Unidos a partir de 2027. Atualmente, esses SUVs da Chevrolet são fabricados no México. A montadora também está transferindo parte da produção de picapes para uma fábrica em Michigan. Segundo a empresa, essa mudança da produção do exterior para os Estados Unidos, juntamente com o aumento dos investimentos em software, resultou em custos adicionais entre US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões) e US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões).
Em contrapartida, a montadora se beneficiou do aumento nas vendas de veículos movidos a combustão e registrou uma queda significativa nas vendas de veículos elétricos, um segmento que historicamente gera prejuízo para a empresa. A GM informou que as perdas com veículos elétricos devem diminuir entre US$ 1 bilhão (R$ 5,08 bilhões) e US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões) neste ano. Desde o segundo trimestre de 2025, a empresa acumulou US$ 10,9 bilhões (R$ 55,37 bilhões) em despesas relacionadas aos veículos elétricos, incluindo US$ 2,3 bilhões (R$ 11,68 bilhões) neste trimestre. Jacobson afirmou que a montadora concluiu as despesas em caixa referentes à redução de investimentos em veículos elétricos.
As medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump no ano passado, que flexibilizaram as regras de eficiência energética e emissões de veículos, permitindo a comercialização de mais carros com motores a combustão, devem contribuir para o resultado financeiro da GM entre US$ 500 milhões (R$ 2,54 bilhões) e US$ 750 milhões (R$ 3,81 bilhões) neste ano. A maior montadora dos Estados Unidos em volume de vendas afirmou que seus resultados continuarão sendo afetados pelas tarifas e pelo aumento dos custos da cadeia de suprimentos. A GM manteve a previsão anterior de que as tarifas terão um impacto negativo entre US$ 2,5 bilhões (R$ 12,70 bilhões) e US$ 3,5 bilhões (R$ 17,78 bilhões) em seus resultados. A empresa também afirmou que a inflação dos custos de matérias-primas, semicondutores e logística deverá reduzir seus lucros entre US$ 1,5 bilhão (R$ 7,62 bilhões) e US$ 2 bilhões (R$ 10,16 bilhões) neste ano.
Na América do Norte, a margem de lucro aumentou para 8,6%, em comparação a 6,1% no mesmo período do ano anterior, mesmo com uma queda de 4% nas vendas trimestrais. Na China, onde a GM está passando por um processo de reestruturação, a empresa registrou um ganho de equivalência patrimonial de US$ 83 milhões (R$ 421,64 milhões), superior aos US$ 71 milhões (R$ 360,68 milhões) do ano anterior. Já as operações internacionais, excluindo a China, apresentaram uma queda de 7% no lucro operacional, totalizando US$ 190 milhões (R$ 965,20 milhões).
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