Vini Jr. fez harmonização facial? Veja o que especialistas identificam nas imagens
Fotos e vídeos do atacante geraram uma onda de comentários nas redes sociais. Médicos explicam quais alterações chamam atenção, por que elas não confirmam um procedimento estético e quais cuidados a harmonização exige.
Antes e depois de Vini Jr. surpreende a web Reprodução/Instagram de Vini Jr. e Virginia Fonseca. Imagens do jogador em um evento promovido por Virginia Fonseca, em Goiânia, alimentaram especulações sobre uma possível harmonização facial. Usuários da internet notaram mudanças no contorno do rosto, enquanto outros sugeriram que as diferenças poderiam ser atribuídas a tratamentos odontológicos, ajustes na barba ou até mesmo ao emagrecimento. A discussão se intensificou após o dermatologista Alessandro Alarcão mencionar que atendeu o atacante do Real Madrid em sua clínica, sem revelar qual procedimento foi realizado.
Apesar das conjecturas, especialistas consultados afirmam que não é possível validar qualquer intervenção estética apenas comparando fotos ou vídeos. Fatores como iluminação, ângulo, expressão facial, distância da câmera, edição das imagens e até a perda de gordura corporal podem alterar significativamente a percepção do rosto. No entanto, algumas características podem levantar suposições sobre o que poderia justificar a aparência do jogador — sempre com a ressalva de que nenhuma delas pode ser confirmada sem uma avaliação clínica.
O que chama atenção nas imagens
A radiologista Stephane Castro observa que, caso tenha ocorrido alguma intervenção, a mudança mais notável parece estar no terço inferior da face, que inclui a mandíbula e o queixo. Segundo a médica, Vinicius apresentava uma leve micrognatia — condição em que o queixo é mais retraído em relação ao resto do rosto. Uma possível projeção dessa área poderia equilibrar o perfil e acentuar o contorno mandibular. Entre as possibilidades está o preenchimento com ácido hialurônico, substância comumente utilizada para aumentar volume e redefinir contornos faciais. Entretanto, Stephane ressalta que essa hipótese não pode ser confirmada apenas por imagens. De acordo com ela, somente uma ultrassonografia dermatológica pode identificar a presença do produto, sua localização e a profundidade da aplicação.
Harmonização não é um procedimento único
Apesar de o termo ter se tornado popular, a harmonização facial não se refere a uma técnica específica. O cirurgião plástico Vitor Pagotto esclarece que a expressão abrange diversos procedimentos destinados a melhorar proporções, corrigir assimetrias ou compensar a perda de volume decorrente do envelhecimento. Esses procedimentos podem ser realizados isoladamente ou em conjunto, conforme as características de cada paciente. O preenchimento com ácido hialurônico é o mais conhecido, mas o tratamento também pode incluir toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno, ultrassom microfocado e fios de PDO. Analisando apenas as imagens divulgadas, Pagotto acredita que um preenchimento estaria entre as opções mais compatíveis com a aparência do atleta, especialmente por se tratar de um procedimento minimamente invasivo e de rápida recuperação. Uma cirurgia facial exigiria um tempo maior de recuperação e deixaria marcas mais evidentes.
A cirurgiã plástica Fabiana Catherino concorda com essa avaliação e ressalta que não existe um protocolo único para harmonização. O tratamento é personalizado e depende da anatomia e dos objetivos de cada indivíduo.
Atletas podem perder volume no rosto
Pagotto destaca que pessoas com baixo percentual de gordura corporal, como muitos atletas de alto rendimento, tendem a ter menos volume facial. Essa característica pode tornar o preenchimento uma alternativa estética quando há indicação médica. Esse perfil é comum entre atletas, cuja composição corporal favorece a definição muscular, mas que também resulta na redução do tecido adiposo facial. Isso, por si só, pode alterar a aparência ao longo do tempo e dificultar comparações feitas apenas com fotografias.
Procedimentos estéticos também apresentam riscos
Embora considerados minimamente invasivos, os preenchimentos faciais não estão isentos de complicações. Os efeitos colaterais mais comuns incluem hematomas, inchaço e manchas arroxeadas, que geralmente desaparecem nos primeiros dias. Casos mais graves, embora raros, podem levar a infecções, assimetrias, obstrução de vasos sanguíneos, necrose da pele e até perda da visão se o produto for injetado acidentalmente em uma artéria. Stephane afirma que a ultrassonografia dermatológica tem aumentado a segurança desses procedimentos, pois permite visualizar vasos sanguíneos antes e durante a aplicação, diminuindo o risco de complicações vasculares.
Como reduzir os riscos
Os especialistas enfatizam que a escolha do profissional é o principal fator para garantir a segurança do procedimento. Pagotto recomenda que os pacientes verifiquem se os produtos utilizados são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e se a aplicação ocorre em um ambiente adequado, respeitando os limites anatômicos de cada paciente. Catherino aconselha que o paciente siga todas as orientações antes e após o tratamento e mantenha expectativas realistas sobre o que cada técnica pode oferecer. No Brasil, diversas categorias profissionais podem realizar alguns procedimentos estéticos, desde que autorizadas por seus respectivos conselhos de classe. Isso inclui médicos, dentistas, biomédicos, farmacêuticos e enfermeiros, entre outros, conforme as normas de cada profissão. Contudo, especialistas alertam que a autorização legal não garante a capacitação técnica. Por isso, a dermatologista Regina Schechtman, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBDRJ), recomenda que o paciente verifique a formação do profissional, sua experiência e, no caso dos médicos, se possuem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área correspondente. Essa precaução, afirmam os especialistas, diminui o risco de complicações e aumenta as chances de um resultado que atenda às características e necessidades de cada paciente.
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