Menor Teteu, do proibidão ‘Dingo Bell’, vira cantor sertanejo: ‘Pedi para Deus me mudar’
“Esse é o Teteu, o do Papai Noel??”, questiona uma seguidora, surpresa, em uma postagem de um jovem trajando um conjunto azul, óculos Juliet e boné. Na gravação, ele canta com emoção a famosa canção “Jogado na Rua”, um modão sertanejo de Guilherme & Santiago lançado em 2013: Uô-uô-uô-uô, ai É no som da viola que o peito chora Nessas noites de lua jogado na ruaaa Ai amor, ai amorrrrrr 🎶 O rapaz é, na verdade, Mateus Correia da Silva, que até pouco tempo usava o nome artístico “MC Teteu”. Em 2019, aos 14 anos, ele fez sucesso no funk com o hit erótico “Dingo Bell”, cuja letra abordava temas bem… diferentes. Me apresento, sou Teteu, sou o seu Papai Noel 🎅 Seu presente é p*roca e ela caiu do céu Cinquenta por cento açúcar, cinquenta por cento mel…
O cantor Menor Teteu em ensaio fotográfico na época em que ainda era MC.
Mas Teteu cresceu, tornou-se pai e decidiu explorar novos horizontes. Agora, aos 21 anos, sem “MC” no nome e se apresentando apenas como Menor Teteu, ele dá início a uma nova fase em sua carreira, totalmente voltada para o sertanejo. “Eu já estava pedindo para Deus me mudar porque queria parar de falar palavrão. Também tive um filhinho, que hoje tem seis meses. Não queria que ele crescesse me ouvindo cantar músicas pesadas”, relata em entrevista.
Menor Teteu com o filho de seis meses. O cantor afirma que a paternidade foi um dos fatores que o motivou a mudar o rumo da carreira.
A transição do funk para a sofrência era um plano antigo de Mateus. Em conversa, ele já mencionava que desejava migrar para o gospel. “Louvar ao Senhor é o meu propósito”, declarou na época. O funk, de fato, ficou para trás, mas o destino foi outro. Nem os produtores nem os amigos do funk sabiam o que ele estava preparando. A mudança para o sertanejo ocorreu sem aviso prévio. No primeiro projeto dessa nova fase, um audiovisual lançado em junho, o artista, que conta com 1,5 milhão de ouvintes mensais no Spotify, optou por iniciar regravando sucessos já consagrados. Entre eles, “Tentei Te Esquecer”, de Matogrosso & Mathias, “Te Amo Demais”, de Leonardo, e “Não Posso Ter Medo de Amar”, de Bruno & Marrone.
O audiovisual intitulado “Peneira do Teteu”, segundo ele, é apenas o primeiro passo dessa nova etapa. Em agosto, Menor Teteu planeja lançar sua primeira canção inédita de “sofrência” e começar a apresentar um show reformulado, com uma banda completa, para iniciar uma turnê em outubro.
A mudança para o sertanejo também trouxe uma escolha bastante curiosa: o visual de Teteu permaneceu quase o mesmo da época em que ele cantava sucessos como “Dim Dim Dom”, ao lado de MC Pedrinho. Enquanto a maioria dos cantores sertanejos costuma optar por calças jeans justas, botas e fivelas, Teteu continua a usar seus ‘kits’ esportivos, bonés e óculos Juliet.
A escolha, evidentemente, gerou comentários nas redes sociais. Frases como “Quando alguém de SP passa uma semana no Goiás” e “O chassi não bate com a carroceria”, ditas em tom de brincadeira, viralizaram. Teteu não se importa. Para ele, esse contraste é até relevante. “É um jeito de me diferenciar no meio do sertanejo. Acho bom que choca as pessoas e fico com a mente em paz porque a minha essência não mudou”, declara.
O cantor também afirma que a notícia foi muito bem recebida tanto pelos antigos colegas do funk quanto pelos novos parceiros do sertanejo. Ele menciona que tem como referências para essa nova etapa artistas como Zezé Di Camargo & Luciano e Gusttavo Lima, mas faz questão de destacar a importância de valorizar seu passado. “Eu nunca vou esquecer que foi o funk que abriu as portas para mim. Sei que vai existir muito preconceito dentro do sertanejo, mas irei quebrar todos eles com a graça de Deus.”
MC Teteu em cena do clipe ‘Dingo Bell’
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