MPPB denuncia delegado e agentes por desvio de drogas em operação

O Ministério Público da Paraíba denunciou um delegado e dois agentes da Polícia Civil por desvio de drogas durante operação em João Pessoa.

MPPB denuncia delegado e dois agentes por desvio de drogas em operação policial

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou, nesta sexta-feira (24), uma denúncia contra o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, por crimes relacionados ao desvio de drogas durante uma operação em João Pessoa.

Além da responsabilização criminal, o órgão requisitou à Justiça a destituição dos cargos públicos dos três denunciados, bem como o pagamento de R$ 1 milhão em indenização por danos morais coletivos. O g1 buscou contato com as defesas do delegado Braz Morroni e dos agentes Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito para obter um posicionamento sobre a denúncia, mas até a última atualização, não houve retorno.

Conforme a denúncia elaborada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os três serão processados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. O documento ressalta que esta é a primeira denúncia da Operação Perfidus e aborda apenas os eventos relacionados ao alegado desvio de drogas ocorrido durante uma ação realizada em outubro.

O Ministério Público afirma que os investigados recebiam informações sobre locais utilizados para armazenar drogas, realizavam incursões nos imóveis para desviar os entorpecentes e, posteriormente, registravam oficialmente apenas uma fração do material apreendido. Para embasar a acusação, o MPPB reuniu evidências obtidas por meio da análise de celulares, dados de geolocalização da viatura utilizada na operação, quebra de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento dos investigados, além de documentos e depoimentos.

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Em 16 de junho, a Polícia Civil finalizou um dos inquéritos da investigação e indiciou o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”. No relatório, a corporação também solicitou a conversão da prisão temporária dos três em preventiva. Eles seguem detidos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

Na última quinta-feira (23), a Justiça da Paraíba concedeu prisão domiciliar a Vanessa Dantas Fernandes, que é investigada por participar da movimentação financeira do suposto esquema. Ela havia sido presa temporariamente durante a mesma operação e deverá cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com os demais investigados.

As investigações

A Operação Perfídus foi deflagrada na manhã desta terça-feira (2) e investiga uma organização criminosa suspeita de estar envolvida com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.

Um dos agentes detidos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”. De acordo com a Polícia Civil, ele é considerado o operador central da organização, fazendo a conexão entre policiais e traficantes. O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, que é apontado como participante ativo do desvio de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido entorpecentes em sua residência.

Outros indivíduos presos na operação incluem João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”), José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”), Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”).

Quem é o delegado Braz Morroni

O delegado Braz Morroni está entre os detidos na operação e atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Com mais de 20 anos de experiência, ele já passou por outras delegacias, incluindo a de Repressão a Entorpecentes. Segundo as investigações, a organização criminosa contaria com a colaboração de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para beneficiar atividades ilícitas. O nome da operação, Perfídus, significa “traição” ou “deslealdade”, referindo-se ao comportamento atribuído aos investigados.

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Em Foco Hoje Redação
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