Volkswagen defende cortes mais profundos diante do avanço das montadoras chinesas na Europa
A Volkswagen precisa intensificar a redução de custos para se manter competitiva frente ao crescimento das montadoras chinesas no mercado europeu, declarou nesta sexta-feira (24) o CEO da empresa, Oliver Blume, após a divulgação de um balanço trimestral com resultados mistos.
A segunda maior montadora do mundo busca equilibrar a necessidade de acalmar os investidores com a proposta de um abrangente plano de reestruturação. Simultaneamente, enfrenta os efeitos das tarifas, a fraqueza do mercado chinês e considera o possível fechamento de algumas fábricas na Alemanha. “Ao analisarmos o futuro, percebemos que os riscos estão aumentando constantemente”, afirmou Blume, mencionando a existência de mais de 150 fabricantes de automóveis na China. “E todos estão entrando no mercado”, acrescentou, referindo-se à Europa.
O executivo sugeriu dobrar o número de demissões já previstas, aumentando o total de 50 mil para 100 mil empregos, e alertou que quatro fábricas na Alemanha estão em risco de fechamento após 2030. Segundo ele, todos os envolvidos estão cientes dos desafios que a empresa enfrenta.
Apesar disso, Blume não conseguiu obter a aprovação total de seu plano de reestruturação durante uma reunião do conselho de supervisão realizada no início deste mês. Essa decisão abre espaço para uma nova rodada de negociações com os sindicatos, após um acordo firmado no final de 2024 que previa os primeiros 50 mil cortes de empregos. Alguns analistas acreditam que os resultados do segundo trimestre indicam uma estabilização da empresa. A receita superou as expectativas do mercado, e o grupo continua no caminho para aumentar sua margem operacional neste ano para a faixa entre 4% e 5,5%. “Os resultados da Volkswagen sugerem que a empresa começa a se estabilizar, apesar de um cenário desafiador”, disse Rella Suskin, analista da Morningstar, destacando a forte geração de caixa.
Por outro lado, analistas da Bernstein afirmaram que a diretoria da Volkswagen tenta “equilibrar a necessidade de tranquilizar os investidores enquanto alerta os funcionários de que a situação é grave”, um desafio considerado quase impossível.
Previsão de lucro é mantida
O lucro operacional da Volkswagen caiu 9,5% entre abril e junho, atingindo 3,5 bilhões de euros (US$ 3,98 bilhões). A receita totalizou 82,4 bilhões de euros, permitindo que a empresa mantivesse a margem operacional em 4,2% no trimestre, dentro da meta anual de 4% a 5,5%. A companhia manteve sua previsão de lucro para o ano, mas abandonou a expectativa de crescimento da receita. Agora, projeta uma queda de até 3% nas vendas em 2026. As ações da Volkswagen, que possui as marcas VW, Skoda, Audi, Porsche, Bentley e Lamborghini, chegaram a cair 3,2% após a divulgação dos resultados, mas reduziram parte das perdas ao longo do pregão.
Concorrência chinesa avança na Europa
Em meio à prolongada desaceleração do mercado interno chinês, montadoras do país têm ampliado sua presença na Europa com veículos elétricos de baixo custo e alta tecnologia, além de modelos híbridos plug-in. Esse movimento já diminuiu a liderança histórica da Volkswagen no mercado chinês. Além de exportar veículos, empresas como a BYD e a Geely estão estabelecendo fábricas na Europa, priorizando países com custos de produção mais baixos, como Hungria e Espanha.
Enquanto isso, a Volkswagen busca alternativas para utilizar a capacidade ociosa de suas fábricas na Alemanha. Entre as opções em avaliação estão a produção de modelos desenvolvidos para o mercado chinês e a formação de parcerias com empresas do setor de defesa. O conselho de trabalhadores da Volkswagen afirmou que simplesmente reduzir custos não será suficiente para recuperar a competitividade da empresa e defendeu mais investimentos em tecnologia e desenvolvimento de novos produtos. Segundo um porta-voz do conselho, após o recesso de verão nas fábricas alemãs, os representantes dos trabalhadores retomarão as negociações com a diretoria para discutir as medidas necessárias para garantir a sustentabilidade da companhia a longo prazo. Blume declarou que espera finalizar essas decisões antes do término do ano.
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