Exposição “Primeiras Infâncias Brasileiras” convida o público a enxergar o mundo pela perspectiva de uma criança
Você já refletiu sobre como um bebê que engatinha percebe o mundo ao seu redor? A uma distância de menos de 30 centímetros do chão, um gaveteiro pode se assemelhar a uma imensa muralha. Uma mesa pode ser vista como um grande acampamento. Sons e movimentos que fazem parte da rotina dos adultos ganham uma nova dimensão para os pequenos. Na mostra inédita Primeiras Infâncias Brasileiras, promovida pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e pela Intercultura, tanto crianças quanto adultos são convidados a observar o cotidiano através de uma nova ótica. A exibição ocorre no Solar Fábio Prado, em São Paulo, de 23 de julho a 20 de setembro de 2026, com entrada gratuita e uma ampla programação educativa e cultural que se desenrola na exposição e em um espaço adjacente.
Experiência imersiva e sensorial
Com ambientes interativos, instalações audiovisuais e experiências sensoriais, o público é imerso no universo da primeira infância. Criada por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e especialistas, a exposição aborda temas como desenvolvimento infantil, cuidado, brincadeiras, desigualdades sociais e direitos das crianças, ressaltando a relevância dessa fase da vida não apenas para cada bebê e criança, mas para toda a sociedade.
Primeira infância: a importância do começo da vida do seu filho
A curadoria conceitual é liderada pela psicóloga e pesquisadora Juliana Prates Santana, que é especialista em desenvolvimento infantil. O projeto foi elaborado a partir de um processo colaborativo entre estudiosos de diversas regiões do país, reunindo contribuições das áreas de psicologia, educação, saúde, ciências sociais, cultura e políticas públicas. “A exposição surge do desejo de aproximar a sociedade da riqueza e complexidade dos primeiros anos de vida. Queremos despertar encantamento e, ao mesmo tempo, ampliar a compreensão sobre as condições necessárias para que todas as crianças possam se desenvolver plenamente”, afirma Juliana.
Sentir, pensar e agir
Durante a visita, os participantes alternam entre diferentes escalas de observação. Em uma delas, podem observar de perto os chamados ‘microgestos’ da infância, como os primeiros sorrisos, passos, palavras e brincadeiras. Em outra, são convidados a refletir sobre os contextos sociais, culturais, econômicos e políticos que afetam o desenvolvimento infantil no Brasil. A mostra baseia-se no conceito de desenvolvimento integral, que considera a infância como resultado da interação entre aspectos físicos, cognitivos, emocionais, sociais e culturais. Com uma proposta imersiva, transforma evidências científicas em experiências que aproximam o público de temas essenciais para entender os primeiros anos de vida. A exposição também enfatiza que o desenvolvimento infantil é afetado por diversos fatores que vão além do ambiente familiar. Questões como moradia, saúde, educação, saneamento, cultura, segurança, mobilidade urbana e redes de apoio desempenham um papel crucial para que bebês e crianças pequenas possam se desenvolver plenamente.
A diversidade das primeiras infâncias brasileiras
O uso do plural no título da exposição não é acidental. A mostra parte da premissa de que não existe uma única maneira de viver a primeira infância, mas sim diversas experiências, influenciadas por fatores territoriais, raciais, sociais, econômicos, culturais e de gênero. Assim, convida o público a explorar a diversidade das infâncias brasileiras, longe de romantizações e visões simplificadas. “Os primeiros anos de vida representam uma janela única de oportunidades para o desenvolvimento humano. Porém, não há uma única infância brasileira. Existem muitas, tão diversas quanto o próprio Brasil. Esta exposição convida o público a conhecer e valorizar essa riqueza, além de refletir sobre as desigualdades que limitam as oportunidades de muitas crianças. Reconhecer essas diferenças é essencial para promover um começo de vida que seja repleto de cuidado, afeto e oportunidades para todos”, afirma Paula Perim, diretora de Sensibilização da Sociedade da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
Experiência para todas as gerações
“Primeiras Infâncias Brasileiras” dialoga com crianças, famílias, educadores, profissionais da infância, pesquisadores e também com visitantes que não têm relação direta com o tema. “Com esta exposição, estamos trazendo o tema da primeira infância, em toda a sua pluralidade e complexidade, para um campo de materialidade que promove a sensibilização e mobilização das pessoas para se engajar com a causa. Essa conexão se estabelece aqui por meio da linguagem e das estruturas únicas que a exposição oferece”, destaca Andréa Buoro, diretora executiva da Intercultura. A exposição também dedica atenção especial à acessibilidade, incorporando recursos de Libras, audiodescrição, comunicação alternativa, conteúdos táteis, textos ampliados, mapas táteis e diferentes possibilidades de interação e circulação, buscando aumentar a autonomia, a compreensão e o pertencimento para diversos públicos.
Serviço – Primeiras Infâncias Brasileiras
Data: 23 de julho a 20 de setembro de 2026
Local: Solar Fábio Prado | Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 | 11 3026-3900
Horário: Terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada gratuita – retire os ingressos gratuitamente aqui
Mais informações: primeirasinfanciasbrasileiras.org
Realização: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e Intercultura
Curadoria conceitual: Juliana Prates Santana



