Internações de bebês por doenças respiratórias aumentam antes do inverno

Um estudo revela que as internações de bebês por doenças respiratórias quase triplicam antes do inverno, exigindo atenção redobrada dos pais.

Internações de bebês por doenças respiratórias quase triplicam no período que antecede o inverno, mostra levantamento

Há uma crença bastante comum entre as famílias: quando o inverno se aproxima, é hora de intensificar os cuidados com as doenças respiratórias das crianças. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revela que essa percepção está desatualizada e que aguardar junho para se preocupar pode resultar na perda do período crucial para a prevenção. Que tosse! Crescer Vacina da poliomelite terá nova dose de reforço: como fica o esquema vacinal? Analisando quase 5 milhões de internações de crianças com menos de 5 anos registradas pelo SUS ao longo de 17 anos, a pesquisa identificou um padrão claro. Entre 2008 e 2025, a média mensal de internações de bebês com menos de 1 ano subiu de 5.619, em fevereiro, para 16.369, em maio. Isso representa um aumento de 191% — e tudo isso ocorre antes do início oficial do inverno. “Os dados indicam que não devemos aguardar o início do inverno para reforçar os cuidados”, afirma o presidente da SBP, Edson Liberal. “O aumento nas internações começa ainda no outono e afeta principalmente os bebês, que são mais vulneráveis a infecções respiratórias graves.” Entre as crianças de 1 a 4 anos, o aumento também foi significativo: a média passou de 7.194 para 16.419 internações no mesmo intervalo, uma alta de 128%. Ou seja, o pico afeta ambas as faixas etárias — mas os bebês chegam lá muito mais rapidamente. O levantamento demonstra que os picos de internações começam em fevereiro e não em junho, no inverno, como sempre se acreditou SIH/SUS. Elaboração: SBP

Por que os bebês adoecem mais gravemente

A explicação está na fisiologia dos pequenos. “Os bebês têm vias aéreas menores, um sistema imunológico em desenvolvimento e uma reserva respiratória reduzida”, explica Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SBP. “Por isso, uma infecção que pode causar apenas sintomas leves em crianças maiores ou adultos pode rapidamente evoluir para dificuldade respiratória e necessidade de internação em um lactente.” O perfil das internações também varia conforme a idade. Enquanto entre crianças de 1 a 4 anos quase nove em cada dez hospitalizações são registradas como pneumonia, entre os bebês, a bronquite aguda e a bronquiolite representam cerca de um terço dos casos. Isso está diretamente relacionado ao comportamento do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em bebês. E aqui vai uma informação que todo pai e mãe deveria saber: embora prematuros e crianças com doenças crônicas tenham maior risco de evolução grave, a maioria das hospitalizações por VSR ocorre em bebês previamente saudáveis. Ou seja, qualquer criança pequena pode desenvolver formas graves da infecção. Segundo o levantamento, o padrão sazonal se repete anualmente: após os volumes mais baixos no verão, as hospitalizações começam a aumentar em março, aceleram em abril e atingem o pico entre maio e junho.

Os sinais de alerta que exigem atendimento imediato

Durante os meses de maior circulação de vírus respiratórios, os pediatras recomendam atenção especial a alguns sintomas. São eles: respiração rápida ou dificuldade para respirar (com afundamento das costelas ou da região do pescoço), chiado intenso, coloração arroxeada dos lábios ou das extremidades, sonolência excessiva, dificuldade para mamar ou ingerir líquidos e febre persistente. Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, pois o diagnóstico e tratamento precoces fazem uma diferença real na redução de complicações.

O que dá para fazer antes que o pico chegue

Como a alta nas internações começa antes do inverno, as medidas preventivas também precisam ser antecipadas, alerta Eduardo Jorge da Fonseca Lima, presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP. Entre as principais recomendações estão manter a vacinação contra influenza em dia para os grupos elegíveis, incentivar a vacinação de gestantes contra o VSR — que protege o bebê nos primeiros meses de vida, conforme previsto pelo Programa Nacional de Imunizações — e avaliar a indicação de anticorpos monoclonais para crianças que se enquadram nos critérios. “Bebês prematuros, crianças pequenas com condições específicas de saúde (como cardiopatias) e recém-nascidos de mães não vacinadas ou imunossuprimidas também podem se beneficiar do uso de anticorpos monoclonais. Em algumas dessas situações, o imunizante é disponibilizado gratuitamente pelo SUS”, explica. Além da imunização, é importante seguir cuidados básicos que fazem diferença no dia a dia: higienizar as mãos frequentemente, manter os ambientes ventilados, evitar aglomerações, não expor bebês a pessoas com sintomas respiratórios e manter crianças doentes fora da creche ou da escola enquanto estiverem sintomáticas. Para apoiar as famílias e pediatras, a SBP publicou em maio, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Febrasgo, um guia sobre o uso de imunizantes contra o VSR. O documento reforça que o vírus é a causa mais comum de bronquiolite, pneumonia e hospitalização em crianças menores de 1 ano, e que a vacinação materna reduz significativamente o risco de doença grave nos primeiros meses de vida do bebê. Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.

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Em Foco Hoje Redação
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