Casa às margens de rodovia é atingida por 3 carros em um mês no ES; imóvel já sofreu danos após queda de helicóptero
Três veículos colidiram com o muro de uma mesma residência em menos de 30 dias, em Vila Velha. Uma moradora de Riviera da Barra, na Grande Vitória, enfrenta dias de apreensão após seu imóvel ser atingido por três carros em um curto período. Situada em uma curva às margens da rodovia ES-288, a casa também já foi danificada em outros incidentes, incluindo a queda de um helicóptero que resultou na morte de duas pessoas em janeiro de 2021.
A aposentada Rosângela Maria Marques, de 66 anos, relata que, em um dos acidentes, um carro derrubou seu portão e destruiu o padrão de energia. Devido a essa situação, ela precisou deixar seu trabalho como vendedora para conseguir uma renda extra.
“Tive que sair porque a minha casa estava toda aberta, sem muro. Eu não conseguia sair de casa para trabalhar em paz, não sei o que poderiam fazer aqui com a minha ausência”, contou Rosângela. Com o impacto, o portão e parte do muro caíram. A residência também foi atingida e o padrão de energia foi danificado, deixando o local sem eletricidade.
A série de acidentes teve início na madrugada de 6 de junho. Naquela ocasião, Rosângela estava dormindo quando um veículo desgovernado colidiu com sua casa. “Foi um susto. Eu só vi uma fumaça e pensei: ‘Meu Deus, o que está acontecendo? Será que é um incêndio?’. Quando consegui sair e abrir a porta, vi que era um carro que tinha entrado e quebrado tudo. Inclusive até a minha cama quebrou, porque puxou a fiação”, lembrou.
Uma semana depois, outro acidente foi registrado. Desta vez, o veículo colidiu com um poste na calçada do imóvel, atingindo lateralmente o muro. Uma pessoa precisou ser socorrida por uma equipe do Samu. O último acidente ocorreu no último domingo (5). Após essa batida, a moradora começou a construir uma barricada para tentar prevenir novas colisões. “A pessoa vem, bate e o próprio motorista não consegue explicar o que aconteceu. Eles vêm da rodovia a mil por hora e, quando chegam aqui, não conseguem parar”.
A aposentada informou que contratou um seguro que cobriu parte dos danos causados pelo primeiro acidente. No entanto, devido à frequência dos incidentes, ela tem arcado sozinha com as reformas. “Tenho que chamar um pedreiro de emergência e o custo é alto. O prejuízo está sendo grande, sem contar o meu risco de vida. Se eu estiver do lado de fora, eu vou junto”.
O Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espírito Santo (DER-ES) foi contatado e questionado sobre a possibilidade de um projeto para a região ou a instalação de proteção no local, mas, até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
O imóvel da aposentada também sofreu danos em decorrência da queda de um helicóptero. O acidente, que ocorreu em 6 de janeiro de 2021, resultou na morte do engenheiro de manutenção Octávio Schneider, de 68 anos, e de sua namorada, a empresária Lucimara Poleto, de 52 anos. “Bateu no coqueiro aqui em casa e caiu em uma área do Exército. Foi horrível”, relembrava Rosângela.
Ela menciona que a aeronave passou muito perto de sua casa, causando diversas rachaduras. “Ninguém nunca me procurou, eu tentei procurar o endereço do proprietário, mas o aeroclube não me forneceu. E ficou por isso mesmo, os prejuízos vão ficando só para mim, só afetando o meu orçamento”. De acordo com o relatório de ocorrências do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado cerca de 15 dias após o acidente, a situação ocorreu após a perda de controle no voo. “A aeronave entrou em emergência e o piloto realizou uma descida acentuada, com intenções de pouso. A aeronave perdeu altitude e colidiu contra árvores e solo”, diz o documento, que foi publicado no Painel do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer).
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