Amamentar durante vacinação é uma prática que se mostrou altamente eficaz para minimizar a dor em recém-nascidos e lactentes. Essa conclusão foi revelada em uma revisão integrativa liderada pela enfermeira Isadora Triquinato Rosa, de Jundiaí, São Paulo. O estudo analisou uma série de pesquisas publicadas e confirmou que o aleitamento materno é a principal intervenção não farmacológica para aliviar o desconforto dos pequenos durante procedimentos invasivos, como a aplicação de vacinas.
Amamentar durante vacinação e suas evidências
A pesquisa revisou 18 artigos científicos, a maioria com alto nível de evidência, e comparou várias estratégias para o alívio da dor. Entre as opções abordadas estavam a sucção não nutritiva, o colo, o contato pele a pele e estímulos sensoriais. No entanto, a amamentação se destacou como a mais eficaz, especialmente quando utilizada sozinha ou em combinação com outras intervenções.
Isadora Triquinato Rosa explica que a eficácia do aleitamento materno no alívio da dor se deve a uma combinação de fatores fisiológicos e emocionais. “A amamentação acalma o bebê, o sabor do leite é doce e o contato pele a pele promove a liberação de ocitocina, que ajuda no relaxamento”, destaca.
Impacto da dor na infância
Além de sua eficácia, a revisão também enfatiza que a dor repetida na infância pode ter consequências duradouras. Estudos indicam que recém-nascidos e lactentes enfrentam cerca de 20 procedimentos dolorosos nos primeiros meses de vida, o que pode resultar em problemas futuros se não houver alívio adequado.
“A exposição contínua à dor sem alívio pode aumentar a sensibilidade à dor, causar alterações na resposta ao estresse e impactar o desenvolvimento neurológico e comportamental”, alerta Isadora. Além disso, essa experiência negativa pode criar um medo de vacinas e cuidados de saúde em geral.
Por que a amamentação não é rotina?
Apesar das evidências robustas, a prática de amamentar durante a vacinação ainda não é amplamente adotada nos serviços de saúde. A revisão identificou que muitos bebês continuam a sentir dor desnecessária, mesmo com estratégias simples e eficazes disponíveis. Um dos principais obstáculos é a atuação da equipe de saúde, especialmente os profissionais de enfermagem, que estão na linha de frente da vacinação.
Embora existam recomendações oficiais no Brasil, incluindo uma nota técnica do Ministério da Saúde, a implementação da amamentação durante a vacinação enfrenta barreiras culturais e práticas. “O problema não é a falta de evidência científica, mas uma combinação de fatores, como a falta de capacitação prática e rotinas rígidas que não priorizam o conforto do paciente”, explica Isadora.
O que pode ser feito para mudar essa realidade?
A revisão também destacou uma lacuna significativa: a ausência de treinamentos práticos para que as equipes de enfermagem possam aplicar a amamentação como uma estratégia de alívio da dor nas salas de vacinação. Para Isadora, a mudança depende de três pilares principais: capacitação contínua dos profissionais, revisão de protocolos institucionais e maior envolvimento das famílias no cuidado.
“Amamentar durante a vacinação é uma prática simples, sem custos, e baseada em evidências. O desafio atual é mais cultural do que técnico”, afirma. Ela também ressalta a importância do papel ativo dos pais nesse processo. “Os pais podem perguntar sobre a possibilidade de amamentar durante a vacina, se preparar para isso e solicitar um ambiente acolhedor. É fundamental entender que isso é uma prática de cuidado baseada em evidências, não um privilégio.”
Por fim, Isadora enfatiza que não oferecer alívio da dor quando existem métodos simples para evitar o sofrimento do bebê é considerado uma falha no cuidado. “Amamentar durante a vacinação não é apenas um gesto de conforto, mas uma intervenção analgésica eficaz, segura e respaldada por evidências. O verdadeiro desafio é transformar isso em uma rotina”, conclui.
Para mais informações sobre cuidados de saúde e vacinação, você pode acessar Em Foco Hoje. Além disso, recomendações sobre práticas de amamentação podem ser encontradas em fontes confiáveis como o Organização Mundial da Saúde.



