A utilização de aviões da FAB tem sido um tema de debate, especialmente após a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A análise revelou problemas sérios na operação dessas aeronaves por autoridades dos Três Poderes, levantando questões sobre a eficiência e a necessidade de tais voos.
Aviões da FAB e a auditoria do TCU
A auditoria técnica do TCU analisou 7.491 voos realizados por aviões da Força Aérea Brasileira entre março de 2020 e julho de 2024. Desses, 266 voos foram executados por autoridades. Um dado alarmante é que 66 desses voos não tinham registros disponíveis, o que levanta preocupações sobre a transparência e a documentação necessária para o uso de aeronaves oficiais.
Problemas identificados nos voos
Entre os problemas destacados na auditoria, estão a falta de justificativas formais para a escolha dos voos da FAB em vez de opções comerciais e a baixa taxa de ocupação das aeronaves. Nos 194 casos analisados, não houve uma avaliação formal que justificasse o uso da aviação oficial, o que é crucial considerando o custo significativamente mais alto dos voos da FAB.
Custo elevado das passagens aéreas da FAB
Os auditores calcularam que, em 2024, o custo médio de cada passagem aérea da FAB foi 6,4 vezes superior ao de passagens comerciais. Em um terço dos voos, o custo individual superou em mais de 20 vezes o valor da alternativa comercial. Se a aviação comercial tivesse sido utilizada, a economia para os cofres públicos poderia ter chegado a R$ 36,1 milhões em apenas sete meses.
Taxa de ocupação e voos vazios
Entre 2020 e julho de 2024, foram registrados 111 voos com apenas um passageiro a bordo e 1.585 voos, representando 21% do total, com até cinco ocupantes. Isso é preocupante, uma vez que as aeronaves da FAB têm capacidade mínima para oito pessoas. A taxa média de ocupação foi de apenas 55%, indicando um uso ineficiente dessas aeronaves.
Recomendações do TCU
Após a análise, o TCU recomendou que a Casa Civil, o Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica desenvolvam um plano de ação para reformular a regulamentação do uso de aviões da FAB. Esse plano deve ser elaborado em 30 dias e as medidas sugeridas devem ser implementadas em até 180 dias.
Critérios para uso de aviões da FAB
O TCU sugeriu que os órgãos estabeleçam critérios claros para a utilização das aeronaves da FAB. Isso inclui a necessidade de demonstrar a justificativa para o uso da FAB em vez da aviação comercial, a identificação dos passageiros com cargos e CPF, e a comprovação de riscos à segurança da autoridade em voos comerciais.
Regulamentação atual do uso de aviões da FAB
Atualmente, podem utilizar as aeronaves da FAB autoridades como o vice-presidente da República, presidentes do Senado, Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal, além de ministros de Estado e comandantes das Forças Armadas. O ministro da Defesa também pode autorizar o transporte de outras autoridades.
Prioridade e compartilhamento de voos
As solicitações para uso da FAB são priorizadas em situações de emergência médica, segurança e viagens a serviço. Quando há solicitações de mesma prioridade, a ordem de atendimento é definida pela hierarquia das autoridades. Além disso, sempre que possível, as aeronaves devem ser compartilhadas entre autoridades que viajam para o mesmo destino.
Responsabilidades das autoridades
As autoridades que solicitam voos têm a responsabilidade de justificar a necessidade do uso da FAB, mantendo registros detalhados das viagens. Esses registros devem incluir datas, horários, destinos e motivos das viagens, além de informações sobre os acompanhantes.
As regras atuais também estabelecem que as autoridades devem preencher as vagas ociosas nas aeronaves, exceto para o presidente da República e suas comitivas. Essa prática visa otimizar o uso das aeronaves da FAB e reduzir custos.
Com a auditoria do TCU, espera-se que haja uma reavaliação do uso de aviões da FAB, promovendo maior eficiência e transparência. Para mais informações sobre a aviação e suas regulamentações, acesse site do Ministério da Defesa. Para mais detalhes sobre o tema, confira Em Foco Hoje.



