A iniciativa dos canteiros de plantas medicinais tem se destacado como uma importante conexão entre conhecimento científico e saberes tradicionais nas periferias de São Paulo. Este projeto, que envolve a colaboração entre universidades, coletivos comunitários e a população local, busca promover a saúde e o bem-estar através do cultivo e uso de plantas medicinais.
Canteiros de plantas medicinais e suas origens
O projeto começou a ganhar forma em 2022, com o objetivo de criar espaços de aprendizado e troca de experiências. A ideia surgiu da interação entre Paulo Teixeira, atual ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e líderes comunitários do Espaço Cultural Jardim Damasceno, localizado na Brasilândia. Desde 1990, um grupo de mulheres tem se organizado nesse território para cultivar plantas medicinais, disponibilizando-as para os moradores.
Eliana Rodrigues, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e uma das coordenadoras do projeto, destaca a importância da participação comunitária. A proposta inicial de expandir a experiência do Jardim Damasceno para outras áreas periféricas foi viabilizada através de emendas parlamentares e apoio da universidade.
Desenvolvimento e expansão do projeto
Em 2022, o projeto-piloto, chamado Horta Medicinal Brasilândia, foi implementado. O foco estava na formação comunitária e no uso seguro das plantas, capacitando moradores a se tornarem multiplicadores de conhecimento. A metodologia foi desenvolvida para promover a troca de saberes entre a universidade e a comunidade.
A partir dos resultados positivos, em 2023, o projeto avançou para novas regiões, como Ermelino Matarazzo e Guaianazes, sempre em parceria com coletivos locais. Os moradores expressaram interesse em participar, o que levou à escolha dos territórios para implementação dos canteiros.
Impacto social e cultural dos canteiros
Os canteiros de plantas medicinais têm refletido as dinâmicas sociais e culturais de cada comunidade. Cada espaço é único, desenvolvendo atividades que vão desde o plantio até oficinas sobre o uso das plantas. Gabrielle Dainezi, jornalista envolvida no projeto, ressalta a flexibilidade do trabalho, que respeita as especificidades de cada local.
Em Ermelino Matarazzo, por exemplo, a horta medicinal se conecta com a trajetória da Paróquia São Francisco de Assis, onde iniciativas de saúde preventiva são promovidas. Deise Cassi dos Anjos, uma das participantes, compartilha que a formação recebida no projeto levou à criação de uma horta na Casa da 3ª Idade, envolvendo a comunidade e promovendo o cuidado com a saúde através das plantas.
Produção de conhecimento e livro coletivo
O projeto culminou na publicação do livro “Canteiros Medicinais Periféricos – O Comunitarismo das Plantas”, que documenta as experiências e memórias dos participantes. Organizado em nove capítulos, a obra apresenta as histórias dos territórios e as plantas cultivadas, destacando a relação afetiva dos moradores com as espécies.
Os relatos coletados não apenas identificam as plantas, mas também compartilham memórias e práticas culturais que envolvem seu uso. A obra foi elaborada com a participação ativa dos moradores, que se tornaram co-autores, rompendo com a lógica tradicional de produção de conhecimento.
Perspectivas futuras e continuidade do projeto
Com a crescente demanda e o interesse das comunidades, o projeto planeja incluir mais territórios nas próximas edições. A intenção é garantir a disseminação de informações seguras sobre o uso das plantas medicinais, promovendo autonomia e fortalecimento das redes comunitárias.
Os canteiros de plantas medicinais não apenas contribuem para a saúde local, mas também resgatam saberes ancestrais e promovem a interação entre gerações. A continuidade do projeto é um passo importante para o fortalecimento da cultura e do conhecimento popular nas periferias de São Paulo.
Para mais informações sobre o projeto e acesso ao livro digital, visite Em Foco Hoje. Além disso, você pode consultar a ANVISA para saber mais sobre o uso seguro de plantas medicinais.



