O acidente com Césio-137 é um dos eventos mais trágicos da história brasileira, ocorrendo em Goiânia em 1987. A gravidade dessa situação foi identificada por Sebastião Maia de Andrade, um geólogo que desempenhou um papel fundamental na detecção da radiação. Ele emprestou um equipamento crucial, conhecido como cintilômetro, que foi utilizado para medir os níveis de radiação na área afetada.
Césio-137 acidente e suas consequências
O evento de 1987 é considerado o maior acidente radiológico fora de usinas nucleares. A tragédia resultou na morte de quatro pessoas, incluindo uma menina de apenas 6 anos, e afetou mais de mil indivíduos. Na época, Sebastião Maia de Andrade era gerente da Nuclebrás em Goiás, uma empresa que, posteriormente, se tornou a Indústrias Nucleares do Brasil S.A.
O papel de Sebastião Maia de Andrade
Sebastião foi essencial para a identificação da contaminação. Ele não apenas forneceu o cintilômetro, mas também esteve presente durante as medições realizadas pelos técnicos da Vigilância Sanitária e pelo físico Walter Mendes Ferreira. No dia 29 de setembro, ao perceber a gravidade da situação, ele imediatamente se dirigiu ao local da contaminação.
Ao chegar à Avenida Anhanguera, próximo ao Setor Aeroporto, Sebastião detectou níveis alarmantes de radiação. Ele compartilhou suas descobertas com Paulo Roberto Monteiro, um sanitarista, alertando-o sobre a contaminação de suas roupas e a necessidade de cuidados imediatos. Essa ação foi crucial para evitar mais danos.
Comunicação e resposta ao acidente
Após identificar a gravidade da situação, Sebastião retornou ao escritório da Nuclebrás e enviou um telex informando à Superintendência sobre o que estava acontecendo. Ele também comunicou o diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear, o físico José Júlio Rosental. Essa comunicação foi vital para a resposta rápida ao desastre.
Impactos pessoais e reconhecimento
Infelizmente, Sebastião Maia de Andrade faleceu em 2006, aos 70 anos, devido a pancreatite. Embora a família não tenha certeza se sua doença estava relacionada ao estresse do acidente, eles reconhecem que ele ficou profundamente afetado psicologicamente pela tragédia. Sua filha, Ana Carla Maia, mencionou que o trauma foi significativo e que ele teve dificuldades emocionais após o evento.
O trabalho de Sebastião foi reconhecido em vida, quando recebeu o título de Cidadão Goiano da Assembleia Legislativa de Goiás, em reconhecimento à sua contribuição durante a crise do Césio-137. Essa homenagem ocorreu cerca de dois anos antes de sua morte.
Memória e legado
A família de Sebastião expressou preocupação sobre o apagamento de sua história e contribuição. Ana Carla e sua filha, Ana Gabriela, têm se esforçado para manter viva a memória de seu pai. A neta decidiu compartilhar a importância de seu avô nas redes sociais, destacando a relevância do telex que ele enviou, que documentou a detecção da radiação e a comunicação com as autoridades competentes.
O acidente com Césio-137 em Goiânia não deve ser esquecido. É essencial que histórias como a de Sebastião Maia de Andrade sejam lembradas, não apenas como um aviso sobre os perigos da radiação, mas também como um exemplo de como a ação rápida e decisiva pode salvar vidas. Para mais informações sobre segurança nuclear, você pode acessar IAEA.
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