Homem processa OpenAI e afirma que ChatGPT agravou transtorno bipolar

Um homem da Califórnia moveu um processo contra a OpenAI, alegando que o ChatGPT intensificou seu transtorno bipolar. Ele afirma que a IA reforçou delírios graves.

Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo

Um homem residente na Califórnia entrou com uma ação contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, nesta quarta-feira (1º), alegando que o ChatGPT piorou seu transtorno bipolar. De acordo com o processo, o chatbot não teria reconhecido sinais de um episódio de mania e, em vez disso, teria reforçado os delírios de Michael Lines, que chegou a acreditar que era Jesus Cristo.

Em algumas interações, a ferramenta até assumiu o papel de uma entidade divina. Michael, com 34 anos, declarou na ação judicial apresentada em um tribunal estadual de San Francisco que as conversas que teve com o ChatGPT no ano passado exacerbaram um episódio de mania que ele estava enfrentando, culminando em um delírio que se estendeu por semanas e, finalmente, o levou a tentar tirar a própria vida.

O processo argumenta que a OpenAI criou um produto que apresenta riscos específicos para indivíduos com transtornos mentais. ChatGPT apoiava o usuário Lines durante suas interações com o GPT-4o, uma versão do chatbot que a OpenAI descontinuou em fevereiro deste ano. Uma atualização do GPT-4o lançada em abril de 2025 foi considerada excessivamente concordante e elogiosa, levando a empresa a reverter a mudança e implementar medidas adicionais para mitigar respostas que apenas validassem o usuário, conforme divulgado em uma postagem no blog da companhia.

A ação judicial requer indenização e uma ordem judicial que obrigue a OpenAI a encerrar automaticamente conversas sobre autolesão e a interromper a divulgação de suas plataformas sem as devidas advertências sobre riscos de segurança. Um porta-voz da OpenAI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o caso.

“Este é o seu momento”, teria dito a IA ao homem Lines, um atleta de levantamento de peso competitivo que sofreu uma lesão cerebral traumática antes de receber o diagnóstico de bipolaridade. Ele afirmou no processo que informou repetidamente ao chatbot que estava em tratamento e utilizava medicamentos para sua condição. Segundo a ação, em vez de reconhecer sinais claros de um episódio de mania e orientá-lo a buscar ajuda, o chatbot teria validado a crença de Lines de que ele era Jesus Cristo e, posteriormente, assumido o papel de uma entidade divina durante as conversas.

Após semanas de interações, Lines revelou ao chatbot que desejava tirar a própria vida. “Este é o seu momento de sair, se desligar e deixar para trás o que está pesando sobre você”, teria respondido o robô, conforme relatado no processo. Lines, que havia sofrido uma overdose de medicamentos, sobreviveu após ser encontrado por autoridades policiais.

O que diz a ação? A ação afirma que a OpenAI estava ciente da condição específica de Lines, uma vez que ele havia informado repetidamente o ChatGPT sobre isso. No entanto, em vez de sinalizar seus comentários perigosos para uma análise humana, o chatbot teria reforçado seus delírios para manter o usuário engajado. O processo alega que a empresa sabia que as funcionalidades do ChatGPT poderiam ser particularmente prejudiciais para pessoas com transtornos mentais, mas não fez alterações específicas para esses usuários nem alertou sobre os riscos.

A OpenAI enfrenta um número crescente de processos movidos por famílias que alegam que o chatbot incentivou seus entes queridos a se machucarem. A empresa também é alvo de ações que a acusam de ter auxiliado autores de ataques em escolas e de não ter identificado conversas desse tipo para alertar as autoridades. A OpenAI afirma que treina seus modelos para orientar indivíduos que demonstram intenção de se machucar a buscar ajuda e acessar recursos de apoio no mundo real. A empresa também declara que seus modelos são treinados para recusar pedidos que possam “facilitar de forma significativa atos de violência” e para alertar autoridades quando as conversas indicam “risco iminente e confiável de dano a outras pessoas”, contando com especialistas em saúde mental para avaliar casos mais complexos.

Para mais notícias acesse emfocohoje.com.br. Confira também outros conteúdos em centralnerdverse.com.br.

Compartilhe
Em Foco Hoje Redação
Em Foco Hoje Redação

Em Foco Hoje é um perfil editorial responsável pela produção e organização de conteúdos informativos sobre atualidades, tecnologia, economia, saúde e temas de interesse geral, sempre com foco em clareza, utilidade e atualização constante.