O chocolate com mais cacau está prestes a se tornar uma realidade nas prateleiras brasileiras. Uma nova legislação, aprovada recentemente, estabelece diretrizes que visam aprimorar a qualidade desse popular produto. A mudança promete impactar a forma como o chocolate é produzido e consumido no Brasil.
Chocolate com mais cacau: novas diretrizes
Em março, a Câmara dos Deputados aprovou um Projeto de Lei que introduz novas regras para a composição do chocolate. Até então, a legislação vigente não oferecia definições específicas para chocolates amargo e meio amargo. Com a nova lei, esses tipos de chocolate terão critérios claros que devem ser seguidos.
Atualmente, a legislação de 2022 apenas define dois tipos de chocolate:
- Chocolate: obtido da mistura de derivados de cacau, como massa e manteiga, com outros ingredientes, devendo conter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau.
- Chocolate branco: feito a partir da manteiga de cacau e outros ingredientes, com pelo menos 20% de sólidos totais de manteiga de cacau.
Impacto da nova legislação no mercado
Com a entrada em vigor do Projeto de Lei, as definições para chocolate amargo e meio amargo serão as seguintes:
- Chocolate amargo ou meio amargo: deve conter no mínimo 35% de sólidos totais de cacau, sendo 18% de manteiga de cacau e 14% livres de gordura.
- Chocolate em pó: precisa ter pelo menos 32% de sólidos totais de cacau.
- Chocolate ao leite: deve conter, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos de leite.
Apesar das expectativas, especialistas alertam que a mudança pode não ter um impacto significativo na qualidade do chocolate disponível no mercado. Muitas marcas já utilizam teores de cacau superiores ao mínimo exigido, especialmente para atender a um público mais exigente.
Críticas e preocupações do setor
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) expressou preocupações em relação à nova legislação. Em nota, a associação afirmou que as novas definições podem restringir a pesquisa e a inovação no setor, além de limitar a criação de novas categorias de produtos.
Além disso, a popularização de produtos rotulados como “sabor chocolate”, que utilizam teores mais baixos de cacau, tem gerado debates sobre a qualidade do que é oferecido aos consumidores.
Qualidade do chocolate e suas variações
A qualidade do chocolate pode variar significativamente entre os diferentes segmentos do mercado. Chocolates finos, como os produzidos pela associação Bean to Bar Brasil, utilizam amêndoas selecionadas diretamente de produtores, resultando em chocolates que contêm entre 70% e 80% de sólidos de cacau. Já os chocolates industriais premium também têm utilizado teores mais elevados, variando entre 50% e 70%.
Por outro lado, os chocolates industriais populares tendem a seguir os teores mínimos exigidos pela legislação. O aumento dos preços do cacau nos últimos anos levou ao surgimento de doces que são apenas “sabor chocolate”, com menos cacau, o que pode ser uma preocupação para a qualidade do produto final.
Expectativas para o mercado de cacau
Embora a nova legislação vise aumentar a quantidade de cacau nos chocolates, não está claro se isso resultará em um aumento significativo nas vendas de amêndoas de cacau. Especialistas, como Marcos Silveira Bernardes da Esalq/USP, indicam que o impacto sobre a oferta e a demanda será pequeno, com um aumento estimado de apenas 5% no consumo de amêndoas pela indústria.
Além disso, a preferência da indústria por amêndoas importadas, que são isentas de impostos, pode limitar o crescimento da demanda por amêndoas brasileiras. No entanto, produtores locais afirmam que há capacidade suficiente para atender a qualquer aumento na demanda.
Para mais informações sobre o setor de chocolate e suas regulamentações, você pode acessar o site da Anvisa. Além disso, para mais novidades sobre o mercado, visite Em Foco Hoje.



