Clécio Ferreira Nunes, indígena Huni Kuĩ, é aprovado como professor no Ifac

Clécio Ferreira Nunes, indígena Huni Kuĩ, conquistou a aprovação como professor no Ifac, superando desafios e inspirando outros.

Clécio Ferreira Nunes, um jovem de 24 anos do povo indígena Huni Kuĩ, teve sua trajetória marcada por desafios e conquistas. Ele foi aprovado como professor no Instituto Federal do Acre (Ifac), um feito que representa não apenas uma realização pessoal, mas também uma vitória para a comunidade indígena.

Nascido em Rio Branco, Clécio cresceu no bairro Montanhês. Desde cedo, ele enfrentou dificuldades financeiras, mas sempre se destacou nos estudos. Sua formação inicial foi em escolas públicas, onde desenvolveu uma paixão pelo aprendizado.

Clécio Ferreira Nunes e a aprovação no Ifac

A aprovação de Clécio como professor de inglês no Ifac é um marco importante. Ele se inscreveu para o concurso enquanto finalizava sua graduação em Letras Inglês na Universidade Federal do Acre (Ufac) e se preparava para iniciar um mestrado. A decisão de participar do concurso surgiu ao perceber que havia quatro vagas disponíveis para sua área, o que o motivou a tentar.

“Quando vi meu nome na lista de classificados, fiquei sem acreditar. Queria gritar, mas não podia porque era de madrugada”, compartilhou Clécio, refletindo sobre a emoção do momento. Ele se lembrou de como a espera pelo resultado foi angustiante, especialmente quando o concurso enfrentou atrasos devido a questões judiciais.

Superando desafios e incertezas

Durante o processo, Clécio viu outros candidatos viajando de longe, o que o incentivou a continuar. “Eu vi gente vindo do Maranhão, pedindo indicação de hotel. Isso me deu ânimo”, disse. Essa determinação foi crucial, especialmente quando ele não ficou entre os primeiros classificados inicialmente.

Com a aplicação das cotas do edital, Clécio acabou ocupando uma posição que o levou à convocação. A expectativa aumentou quando novas vagas foram anunciadas, culminando em sua nomeação oficial em fevereiro. “Era 2h da manhã e eu pulava de alegria. A primeira pessoa para quem contei foi a minha mãe”, lembrou.

Vivências e identidade cultural

Embora Clécio não tenha vivido em uma aldeia durante a infância, ele sempre teve contato com a cultura Huni Kuĩ através de sua família. As visitas de parentes, com pinturas e adereços tradicionais, ajudaram a manter viva sua identidade. A primeira visita a uma terra indígena ocorreu quando ele tinha cerca de 20 anos.

Na escola, Clécio enfrentou momentos de timidez e estranhamento. Ele recorda que muitas crianças o associavam a asiáticos devido a seus traços. Essa experiência moldou sua visão sobre a diversidade e a inclusão.

Facilidade com idiomas e a escolha da docência

Clécio sempre teve facilidade para aprender idiomas. O espanhol foi sua primeira língua estrangeira, seguido pelo inglês. Ele se dedicou a estudar inglês em um curso em Rio Branco, mesmo enfrentando dificuldades financeiras. Para se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), contou com o apoio de sua escola pública e aulas gratuitas.

Após ingressar na Ufac, sua rotina se intensificou. Ele enfrentava longas jornadas de ônibus para chegar à universidade. A abordagem de ensino dos professores, que priorizava a participação ativa, influenciou sua decisão de seguir a carreira de docente. “Eu queria ensinar para que outras pessoas também tivessem essa oportunidade”, afirmou.

Representatividade e futuro

Clécio destacou a importância de sua aprovação como um símbolo de representatividade. Ele nunca teve um professor indígena em sua trajetória educacional e espera ser uma referência para outros. “Se não tem ninguém lá, não quer dizer que não é para você. Vai lá e seja essa pessoa”, encorajou.

Além de lecionar, Clécio planeja continuar seus estudos, com a intenção de fazer doutorado e desenvolver pesquisas sobre literatura indígena. Ele também deseja criar projetos de ensino de inglês voltados para comunidades indígenas, incluindo iniciativas relacionadas ao turismo nas aldeias.

“Sonhe em estar lá e nunca esqueça de onde veio. Tudo o que você aprender na jornada acadêmica precisa voltar para o seu povo”, concluiu Clécio, reafirmando seu compromisso com sua cultura e sua comunidade.

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Em Foco Hoje Redação
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