O consumo de drogas no Brasil tem se tornado um tema cada vez mais relevante, especialmente com o aumento significativo do uso de substâncias ilícitas nos últimos anos. Dados recentes indicam que a maconha se tornou a droga mais consumida, enquanto o uso de cocaína e crack se estabilizou.
Consumo de drogas Brasil: crescimento alarmante
O percentual de brasileiros que afirmam ter experimentado alguma substância psicoativa ao menos uma vez na vida cresceu de 10,3% para 18,8%. Essa informação vem do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo, uma referência importante na área, revela que o aumento no consumo de drogas é especialmente impulsionado pelo uso de maconha, seguindo uma tendência observada em diversos países ocidentais.
A psicóloga Clarice Madruga, que coordenou a pesquisa, explica que esse crescimento era esperado, considerando o longo intervalo entre as edições do levantamento. A última pesquisa foi feita em 2012, e a percepção social sobre os riscos associados ao uso de maconha mudou significativamente desde então. Em 2012, a prevalência do consumo de maconha no Brasil era baixa, enquanto o uso de cocaína e crack era mais destacado.
Perfil do consumidor de drogas
O estudo também revelou uma mudança no perfil dos consumidores. Embora os homens ainda sejam a maioria entre os usuários de drogas, o aumento do consumo entre mulheres adultas foi notável, com a taxa subindo de 7% para 13,9%. Isso sugere que a cannabis pode estar sendo percebida como uma forma de lidar com o estresse, embora essa crença seja equivocada.
Clarice Madruga aponta que há uma percepção errônea de que a maconha pode ajudar a controlar a ansiedade. Na verdade, o uso da substância pode aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos ansiosos, especialmente devido à maior potência da cannabis disponível atualmente. Essa mudança na percepção pode explicar o aumento no consumo entre mulheres.
Metodologia do estudo
O Lenad III utilizou uma metodologia rigorosa, avaliando a taxa de experimentação e consumo recente de 16 drogas ilícitas no Brasil. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas com uma amostra representativa da população com mais de 14 anos. O método de autopreenchimento sigiloso garante maior confiabilidade, pois os participantes respondem em tablets, preservando o anonimato.
Quando os participantes não podiam ler ou escrever, suas respostas eram gravadas em áudio anônimo. A amostra incluiu 16.608 pessoas de diversas regiões do país, abrangendo tanto áreas urbanas quanto rurais.
Impactos do consumo de drogas em jovens
Um dos pontos críticos destacados no levantamento é o alto índice de consumo entre jovens. O acesso facilitado às drogas e a crença de que a maconha não causa danos são fatores preocupantes. Qualquer substância psicotrópica pode ter efeitos prejudiciais em cérebros em desenvolvimento, incluindo problemas de memória e aprendizado.
As implicações do uso de drogas na juventude são sérias, afetando áreas do cérebro responsáveis pela tomada de decisões e controle de impulsos. Clarice Madruga ressalta que estratégias de prevenção que utilizam informações exageradas não têm se mostrado eficazes. A redução do consumo de drogas no Brasil requer políticas públicas integradas.
Medidas para a redução do consumo de drogas
Para combater o aumento do consumo de drogas, é necessário investir em educação e valorizar os professores. Além disso, a ampliação de opções de lazer, como atividades culturais e esportivas, é fundamental, especialmente para populações mais vulneráveis. A valorização da educação é uma estratégia de prevenção eficaz.
O cenário atual exige uma abordagem mais consciente e informada sobre o consumo de drogas. Para mais informações sobre o tema, você pode acessar este link. Para mais conteúdos relacionados, visite Em Foco Hoje.



