O corte do adicional de insalubridade tem gerado grande preocupação entre os profissionais da saúde em Cuiabá. Um farmacêutico da rede municipal expressou sua indignação em um vídeo, onde discute as condições de trabalho que se tornaram ainda mais desafiadoras após a decisão da prefeitura.
Recentemente, a administração municipal anunciou a suspensão do pagamento do adicional, o que afeta diretamente a renda de muitos trabalhadores. No vídeo, o farmacêutico destaca a proximidade da farmácia com a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), evidenciando os riscos que essa situação impõe aos profissionais que atuam no local.
Corte adicional insalubridade e suas implicações
O farmacêutico menciona que a estrutura atual expõe os trabalhadores a situações de risco, afirmando: “Todo o contato com a sala vermelha, uma janela que não tem nada. Se eu não tiver insalubridade, não vou atender por aqui, não vou cumprir risco”. Essa declaração reflete a insegurança que muitos sentem diante da nova realidade.
Conforme relatado, a retirada do adicional pode impactar a renda dos profissionais em até 30%. O farmacêutico revelou que muitos não estavam preparados para essa mudança e foram pegos de surpresa ao consultarem suas folhas de pagamento. “Você trabalha 30 dias aguardando o seu salário para pagar suas contas. Em um dia você está recebendo, no outro dia você não sabe mais quanto você vai receber”, explicou.
Condições de trabalho comprometidas
Além do impacto financeiro, o farmacêutico também abordou as condições de descanso dos trabalhadores, que se encontram em uma sala insalubre, sem a devida estrutura para recuperação. Ele destacou que a falta de condições adequadas de descanso pode prejudicar ainda mais a saúde dos profissionais.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cuiabá (Sispumc), Renaudt Tedesco, comentou que as mudanças no auxílio ocorreram em duas etapas. A primeira, que alterou a forma de pagamento, aconteceu em outubro, enquanto a segunda etapa está em andamento e define quais servidores terão direito ao adicional.
Impacto da nova legislação
A Lei Complementar nº 579, que modificou o cálculo do benefício, determina que o adicional de insalubridade deve incidir sobre o vencimento-base correspondente à Classe A da carreira do servidor. Essa mudança gerou descontentamento, já que anteriormente o cálculo considerava a qualificação profissional, o que aumentava o valor recebido pelos servidores.
O presidente do sindicato ressaltou que a nova regra pode resultar em perdas significativas, chegando a três mil reais em alguns casos. O auxílio compensatório foi criado, mas é uma medida temporária, válida até que haja uma nova definição sobre o percentual de insalubridade.
Ação judicial em defesa dos trabalhadores
Em resposta ao corte do adicional, o Sispumc protocolou uma ação judicial para impedir a redução do benefício. A ação foi registrada na 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública e solicita uma decisão urgente para suspender as mudanças nos salários. A prefeitura, por sua vez, afirma que a medida foi adotada para cumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público.
O sindicato argumenta que a aplicação das mudanças sem a devida divulgação dos laudos técnicos viola o direito de defesa dos servidores, que não tiveram a oportunidade de contestar os critérios utilizados. Além disso, a falta de transparência nos documentos que afetam os salários é uma preocupação constante.
Preocupação com o futuro dos trabalhadores
O farmacêutico finaliza sua crítica questionando: “Se eu não ganho para ficar exposto ao risco, por que que eu vou ficar exposto ao risco?” Essa pergunta reflete a angústia de muitos profissionais que se sentem desmotivados e inseguros com as mudanças recentes. A situação dos trabalhadores da saúde em Cuiabá deve ser acompanhada de perto, uma vez que o adicional de insalubridade é uma parte essencial da renda desses profissionais.
Para mais informações sobre a situação dos servidores públicos, você pode acessar Em Foco Hoje. Além disso, é importante acompanhar as atualizações sobre direitos trabalhistas e condições de trabalho através de fontes confiáveis, como o site do governo federal.



